quarta-feira, julho 20, 2005

Cabeça Forte



Existe um homem que é um exemplo, sobretudo para nós, portugueses.
Este homem consegue ser há 7 anos o melhor ciclista do mundo. Este feito só é possível com muita determinação, objectividade e muita vontade.
Imagine-se o que é conseguir manter o mesmo nível (o mais alto possível) durante 7 anos consecutivos, em qualquer actividade. Agora imagine que para tal é preciso fazer cerca de 200km por dia em cima de uma bicicleta faça chuva, sol, frio ou calor, durante 340 dias por ano. Claro que isso, todos os ciclistas profissionais fazem, mas conseguir manter o nível de motivação já não é a mesma conversa, sobretudo se pensarmos num período de vários anos.

Os críticos dizem que este homem tem uma grande equipa e que só faz a volta a França. Mas isto é o que qualquer estratega faria, concentrar-se num objectivo e rodear-se da melhor equipa possível. Existem outros a tentar o mesmo sem resultados. E já agora, para quem nunca andou numa bicicleta em competição, a equipa ajuda muito, sobretudo em terreno plano, no entanto o líder também tem que pedalar como os outros. Pensemos agora que a volta a França tem 3608Km e que passa pelos Alpes e pelos Pirinéus com etapas de 200km pelas montanhas que, para quem nunca lá foi, são muitas vezes difíceis de subir com um automóvel em segunda velocidade e que se descem a 100km/h (sim numa bicicleta com rodas com 1,5 cm de largura). Nestas etapas o líder da classificação geral (camisola amarela nesta prova) tem de, para além das dificuldades inerentes ao terreno, defender-se dos ataques de todos os outros candidatos ao título, visto que é aqui que se conseguem as grandes vantagens (e percas) ao nível dos tempos finais. A equipa aqui tem sobretudo um valor psicológico, já que não existe ‘cone de aspiração’ a subir.

A vitória num prova como esta é de facto uma vitória sobretudo da vontade.
Para tal é preciso treinar e viver diariamente com um objectivo em mente.
Planear e cumprir, sempre, custe o que custar.
Não é por acaso que lhe chamam Lance ‘Headstrong’ (Armstrong).

3 comentários:

Milhafre disse...

Bom exemplo, meu caro digitoonista.
Mas olha que como estratega, organizador e, sobretudo, gerador de uma auto-confiança ilimitada, o Mourinho é melhor exemplo.
No entanto, não deixo de olhar com admiração para Armstrong. Um exemplo de que, quando o homem quer, desde que trabalhe para isso, consegue.

Pilrito d'Areia disse...

É sem dúvida um exemplo de estratega, organizador e gerador de auto-confiança só que o esforço (físico/psíquico) exigido é completamente diferente nos dois casos. No caso do Armstrong existe luta diária com dor, e portanto uma vontade anormal de continuar e atingir os objectivos traçados.

Corvus Corax disse...

1 - O Mourinho não teve um cancro.
2 - O Mourinho ganhou 2 cenas, o Armstrong ganhou 7 (de seguida).
3 - Não depende do esforço físico do Mourinho a victória da sua equipa.
4 - O Mourinho não é casado com a Sheryl Crow.
5 - O Mourinho não tem o respeito, a admiração e o amor incondicionais de TODA a população do seu país (o que é dificil sendo que o País se trata de Portugal, onde já ouvi alguns bardamerdas sem qualquer importância falar mal, ou dizer que não gostam do Mourinho. Eu por acaso até o admiro bastante) e o Armstrong tem.
6 - A única coisa que o Mourinho e o Armstrong poderão ter em comum é a determinação e a vontade indómita de ganhar, embora um já tenha dado mais provas disso do que o outro.
7 - Acho que não vale a pena tentar impingir um português cada vez que se reconhece o valor de um estrangeiro qualquer. Mais vale de vez em quando homenagear isoladamente o tal português e mostrar, caso a caso, que também temos gente com valor!