quinta-feira, junho 30, 2005


Pilrito d'Areia 32 [Potencia nuclear]

O horrível senhor Blair, no DN

Interessante, esta opinião, publicada no DN, que tive o prazer de recuperar para deleite da passarada.
Porque será que as coisas simples são raras ao alunos pretensamente sabedores?
A perda dos protagonismos, debaixo da capa das teimosias de carácter histórico, a maior parte das vezes ligadas a chauvinismos sempre bacocos e a interesses mais bacocos ainda - os deles, só -, resulta em impasses que só liquidam o verdadeiro interesse das gentes que procuram o seu melhor modo de vida - seja ele qual for.


Pilrito d'Areia 31 [Pena]

Injustiça social

(É um post atrasado, mas ainda faz todo o sentido)

A nova Lei das Rendas, mais que o aumento do IVA, mais que a criação de um novo escalão de IRS para uma suposta classe social alta, é um ataque cerrado à classe média.

Com esta lei do secretário de Estado Eduardo Cabrita, o Governo quer evitar "rupturas sociais", pensando nos idosos e cidadãos com rendimentos mais baixos, mas, de facto, o que defende acaba por ser a manutenção de uma das maiores injustiças sociais de Portugal.

Explicando.

Não podemos esquecer que os contratos de arrendamento urbano estabelecidos antes de 1990 são abrangidos por um regime jurídico criado por Salazar. Há 400 mil casas ou apartamentos por esse país fora que continuam a pagar rendas de 20/30 euros por imóveis, por exemplo, por tipologia T3, T4, T5 ou T6 no centro de cidades como Lisboa ou Porto. Esses contratos podem ser transmitidos de pais para filhos, sendo possível - como atestam os milhares de casos desses - eternizar o contrato sem que o valor da renda seja actualizado. Pior: existem muitos senhorios que foram obrigados pelo tribunal a realizarem obras de milhares de contos com rendas de 20 ou 25 euros mensais por cada fracção. Isto faz sentido? Não.
O lado mais surrealista deste dossiê é precisamente o facto de muita gente que paga esses valores residuais ter rendimentos mensais superiores à média nacional.

A primeira consequência é não existir mercado de arrendamento em Lisboa e nas restantes cidades portuguesas, o que faz com que as rendas contratualizadas depois de 1990 estejam estupidamente inflaccionadas, chegando a ultrapassar valores acima dos 100 por cento, ficando os encargos mensais do arrendamento ao mesmo nível de um crédito para compra. Isto faz sentido? Nenhum.

A segunda consequência é fácil de adivinhar: o portugueses endividam-se bárbaramente para comprar habitação , fazendo com que Portugal seja o país da União Europeia com maior percentagem de casa própria tendo em conta o número de habitantes do país. Extraodinário, não é?

Pode-se dizer que o Governo de Santana Lopes teve todos os defeitos do mundo, mas a nova Lei das Rendas que deixou pronta era mais justa do que aquela agora apresentada. A Lei feita por José Luís Arnaut - sinceramente, nunca pensei elogiar este homem - foi rapidamente, e de forma injusta, apelidada de lei dos despejos. Porquê? Porque agilizava e acelerava as penalidades em caso de incumprimento. Ou seja, agora, caso alguém se recuse a pagar 25 euros mensais, o proprietário leva anos até conseguir que o inquilino lhe pague a renda, sem que o possa por na rua. Com a lei de Arnaut, o proprietário passava a ter meios eficazes que podia accionar em caso de incumprimento. É justo, não? Não paga, vai para a rua.
Na mesma lei, os idosos ou pessoas com o salário mínimo nacional tinham direito a um tecto de aumento e a um período de transição.

Injustiça social - parte 2

Eduardo Cabrita, mandatado por António Costa, ignorou tudo o que escrevi atrás e mantém tudo como está. Tudo igual, não. A proposta de lei prevê uma "forma expedita" de passar à "fase executiva", ou seja, ao despejo em caso de incumprimento. Não diz é a forma. Ora bolas, a forma, neste caso, é mais importante que o conteúdo.
Mas o lado mais importante da nova lei, é a fase de transição de 5 anos ou de 10 anos - consoante os rendimentos dos inquilinos - e o tecto de 50 euros para o aumento no primeiro ano e 75 euros nos restantes. Estes tectos são profundamente ridículos. Não resolvem nenhum prolema social e só adiam a resolução de umas das maiores causas para a desigualdade social da sociedade portuguesa.
Mais rídiculo ainda é extender estes tectos aos arrendamentos comerciais. Pequenos comerciantes que pagam rendas com datas de 1940 vão ser aumentados em 50 euros por mês, quando têm uma actividade comercial que lhes permite sustentar aumentos superiores. É uma forma de subsídio artificial, com a assinatura de Eduardo Cabrita, às empresas nacionais.
As regras mais elementares e básicas de uma economia de mercado não são respeitadas por esta proposta de lei. Esta sim é uma lei verdadeiramente socialista ao impôr ao mercado as regras do Estado.
A maior injustiça social é o facto de, em nome de uma minoria social como os idosos, a classe média ser obrigada a sustentar rendas especulativas que levam as pessoas ao endividamento. Os cidadãos com mais de 65 anos têm direito a ter um regime especial consoante os seus rendimentos, mas isso não pode fazer com que o mercado nao funcione de todo, como é e continuará a ser o caso.
Enquanto não existir uma verdadeira lei das rendas, e este é que o ponto, não haverá mercado de arrendamento e, por arrastamento, os preços super-especulativos do mercado de compra de habitação continuarão porque serão susutentados por uma procura que considera mais racional pagar uma renda ao banco e ficar com a casa, do que pagar o mesmo valor a um proprietário.
Esta é que a justiça social do Governo de José Sócrates?

quarta-feira, junho 29, 2005

Ligação à terra!

Numa altura em que tanto se fala de mortes de gente célebre (por variedade de razões), não custa nada uma pequena ligação à terra dos homens:

Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram.
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Álvaro de Campos (26-4-1926)


Pilrito d'Areia 30 [Saber somar]

Portugal e a 'vaca'


Bem lá no fundo, esta é a 'vaca' que Portugal precisa de ter para se aguentar nesta fase de crise e para se safar da subida das taxas de juro e da sua condição de país de alto risco - no que toca a emprestar dinheirito!
Esta é a 'vaca' à procura de erva (olha a seca, até nem escapam as balizas); no outro lado do campo (ou será do mesmo lado) estão os portugueses a pedir aos céus um milagre.
É o chamado 'encontro com a natureza de cada um'!

Foto Público, Nuno Veiga/Lusa


terça-feira, junho 28, 2005

Habemus Papa: Amoras!


Pilrito d'Areia 29 [Crise?]

Democracia com limites

Recomenda-se uma pequena visita ao blogue preferido da extrema-esquerda para aferir o espírito democrático de um dos principais dirigentes do Bloco de Esquerda, Daniel Oliveira. Aparentemente, o ex-assessor de imprensa do Bloco está de saída do blogue por si criado por discordar da opinião - legítima e, digo eu, acertada - de um dos barnabés mais recentes, Bruno Cardoso Reis.
Talvez o melhor seja citar o Daniel: "O Barnabé era para mim um espaço de opinião alternativo, que debatia com outros e se batia pela hegemonia da linguagem política e cultural. Um espaço plural, mas um espaço. Dirão: plural, mas com limites? Exactamente! Plural o suficiente para contrariar as tendência monolíticas de toda esquerda, com os limites suficientes para ser mais do que uma tertúlia"
Imaginem o Bloco no poder...

segunda-feira, junho 27, 2005

Um sério aviso

Um sector importante do Ministério Público, representado por Alberto Pinto Nogueira, ex-número 2 da Alta Autoridade Contra a Corrupção e actual procurador-geral adjunto na Relação do Porto, lança um sério aviso ao ministro da Justiça, via Grande Loja Queijo Limiano.
Alberto Costa que se cuide.

O único blogue com digitoon

Um pouco mais abaixo, o Pirlito d'Areia pergunta se "um cartoon digital é um digitoon?". Sinceramente, eu acho que sim.

É mais uma mais-valia dos "Pássaros". Além de termos o fantástico cartoon do "Pirlito d'Areia", da autoria do nosso Roger, também criamos um novo género blogosférico: o digitoon.

Uma pequena recomendação para quem nos visita à pouco tempo: procurem e vejam o digitoon do Pirlito. Até agora são 29 tiras que vale a pena ler, apreciar e chorar por mais. Por muito mais.

Um bom exemplo de imparcialidade jornalística

"Facto nunca visto numa conferência de imprensa europeia, Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro do Luxemburgo, foi aplaudido várias vezes por largas centenas de jornalistas no final da cimeira de líderes da União Europeia que terminou na madrugada de sábado com o fracasso das negociações orçamentais comunitárias".
"Os aplausos transformaram-se em verdadeiras ovações na quarta-feira, no Parlamento Europeu, antes, durante e no final do seu discurso de apresentação aos eurodeputados do balanço do seu semestre na presidência rotativa da UE que termina a 30 de Junho". (...)
Excerto de uma notícia de Isabel Arriaga e Cunha no "Público" de 24 de Junho

Este é um comportamento verdadeiramente vergonhoso. Elucidativo, é o facto de a repórter do Público comparar e ligar "os aplausos" de jornalistas - isto é, de mediadores, supostamente independentes, entre Juncker e a Opinião Pública - às ovações dos eurodeputados.
Não são a mesma coisa, porque são dois tipos de agentes com responsabilidades e competências diferentes e, às vezes, opostas.
Os jornalistas informam a Opinião Pública sobre a actividade dos agentes e protagonistas europeus. Logo, os "aplausos" dos jornalistas não podem ter como continuação as "ovações" do parlamentares.
Os "aplausos" são eticamente reprováveis. Não está propriamente em causa uma declaração forma de guerra entre a Grã-Bretanha e a Alemanha ou o fim da União Europeia. Uma coisa é Juncker merecer simpatia de quem conviveu profissionalmente com ele durante 6 meses. Outra coisa é exteriorizar sentimentos pessoais, colocando em causa a imparcialidade a que os jornalistas estão obrigados.

Os jornalistas não podem transformar-se em agentes e/ou actores políticos. Caso contrário, deixam de ser jornalistas, para passarem a ser simples membros de uma claque futebolística.

Este episódio deixa a dúvida sobre a independência e a imparcialidade que os jornalistas/correspondentes, sejam de que nacionalidade forem, sedeados em Bruxelas têm para acompanhar a vida dos diversos órgãos da União Europeia situados na capital belga, no Luxemburgo ou em Estrasburgo.

O que será que o meu caro DD e Paulo Gorjão - bloger sempre atento ao jornalismo que se pratica em Portugal e no resto do Mundo - pensam sobre esta atitude dos "eurojornalistas"?

domingo, junho 26, 2005

Diálogos imagináveis

Acabei de passar por um Volkswagen Touareg conduzido por Ricardo Araújo Pereira (RAP). No outro dia, aconteceu-me o mesmo com Paulo Portas. Não sabia que duas pessoas tão diferentes tinham carros exactamente iguais: o mesmo modelo, a mesma côr preta, os mesmos estofos creme, o mesmo porte.
Se Portas e RAP têm o mesmo carro, isso só pode querer dizer que o bloquista e ex-comunista ou já teve ou vai ter um Jaguar. Porquê? Por uma razão muito simples: ambos conduzem mal e porcamente.

Já imaginaram - e eis uma dica com direitos de autor para uma revista ou suplemento automóvel da nossa praça - os dois a serem entrevistados em simultâneo sobre o "seu" Touareg?

RAP - ó pá, este Touareg é melhor que um camelo. É super-confortável, veloz e tem um lado anfíbio que desperta a curiosidade das míudas. Qual é a tua posição de condução preferida?

Portas - Essa é uma pergunta fácil, meu caro. Adoro sair do Parlamento, tirar a minha gravata laranja comprada na Via Condoti, desapertar os primeiros quatro botões da minha camisa branca, abrir o vidro, pôr o carro em andamento e sentir o vento a despentear o meu cabelo aloirado queimado pelo sol argentino.
RAP - Cool! Olha lá pá, o que quer dizer SUV?

Portas - Mais outra fácil: Sempre Unidos na Vitória. É o lema do CDS.

RAP - E eu a pensar que isso era um exclusivo dos meus ex-camaradas.

sábado, junho 25, 2005

Kafka

Inspirado por estes senhores, nada como citar Kafka para compreender a mentalidade da Administração Pública portuguesa:
"Este senhor é encarregado de informações. Presta aos interessados que aqui esperam todas as informações de que eles necessitam; e olhe que presta bastantes, pois a nossa justiça não é muito conhecida entre a população (...)
Esta não é a sua única vantagem; tem outra: a maneira elegante como se veste. Nós, isto é, os funcionários, concordamos uma vez que o encarregado de informações se devia vestir elegantemente - é ele quem trata sempre e em primeiro lugar com as pessoas que aqui se dirigem - a fim de causar uma boa impressão. O resto dos funcionários, como o senhor pode ver por mim, infelizmente veste mal e fora de moda; aliás, não faz muito sentido gastar dinheiro em roupas pois passamos quase todo o tempo nas repartições e até cá dormimos. Mas, como disse, consideramos que era necessário que o encarregado de informações vestisse boa roupa. Porém, como a nossa administração, que neste aspecto é um pouco estranha, não lha forneceu, fizemos uma subscrição, na qual participaram também algumas pessoas que aqui vêm, e comprámos-lhe este belo fato e mais um outro. Agora estaria tudo preparado para causar boa impressão, mas ele com as suas risadas estraga de novo tudo e assusta as pessoas". (...)
Franz Kafka, "O Processo", pág. 76

Pilrito d'Areia 28 [Greve]

Ai! que o pássaro voa...

Comentava-se algures em Cabo Verde, na manhã do dia de ontem, que Luís Filipe Vieira (o conhecido 'chefe' dos SLBs) tem mais 'quorum' por aquelas bandas do que qualquer governante português de topo!

Hipóteses:

  1. Crise das instituições democráticas?
  2. Os novos problemas que se colocam à democracia em plano ascendente?
  3. Apenas uma situação de normalidade prevista pela ciência política?
  4. O Benfica campeão?
Se nenhuma delas corresponde à resposta que lhe parece correcta, deixe o seu comentário no local próprio.
A ANIFC - Associação Nacional dos Investigadores em Fenómenos de Comunicação agradece.



sexta-feira, junho 24, 2005

Bloguítica

Começei a ler o Paulo Gorjão nos meus primeiros tempos na blogosfera. Confesso que ao início não gostei muito. Muita política internacional, mensagens subliminares para a esquerda partidária e muitas críticas ao jornalismo praticado em Portugal levaram-me a não gostar à primeira do blogue.

Hoje é precisamente a crítica fundamentada ao jornalismo, aliada a uma honestidade intelectual e independência na avaliação do mundo político, que me faz respeitar o autor e que me leva a ler atentamente o Bloguítica.

Gorjão representa, na minha opinião, um dos papéis mais importantes da blogosfera: o escrutínio do jornalismo. Sendo duro, incisivo e justo, o autor contribui para que o jornalismo português seja mais exigente consigo próprio. Só por isso - embora existam outras boas razões de natureza diferente - vale a pena visitar o Bloguítica.

O melhor remédio para ler Sousa Tavares

"Nestes dias em que todos só falam dos seus interesses e só olham para o seu próprio umbigo, onde estão os sinais de esperança?"

Tenho que passar a tomar meio Xanax antes de ler ou ouvir Miguel Sousa Tavares. Hoje cheguei ao fim da sua página no "Público" e fiquei deprimido. Ele bem pede desculpa, mas o seu "pessimismo negativista" é uma "overdose" para qualquer pessoa.