sexta-feira, julho 29, 2005

Leituras IV

Li através do Bloguítica.
Excelente editorial de Sérgio Figueiredo, director do Jornal de Negócios. Leiam aqui que vale a pena.

Contas de um demagogo - "post" rectificado

Paulo Gorjão chama a atençao, aqui e aqui, para as inacreditáveis declarações do Manuel Pinho ao "Diário de Notícias" de ontem.

O mais extraodinário nessa mini-entrevista é que o ministro da Economia deve pensar que os contribuintes portugueses são parvos. Ao afirmar que a OTA e o TGV "no horizonte desta legislatura, representam menos de 10 por cento do Plano de Investimentos em Infra-Estruturas Prioritárias" (PIIP), está a fazer contas de chico-esperto.
O dr. Pinho sabe perfeitamente que as suas contas não incluem o investimento total previsto para aqueles dois projectos. A OTA deverá custar cerca de 3 mil milhões de euros (600 milhões de contos), embora aqui se fale em 5 mil milhões (mil milhões de contos), enquanto o TGV tem uma estimativa de investimento na ordem dos 14 mil milhões de euros (2 mil e 800 milhões de contos).

No PIIP, que apenas apanha o período desta legislatura, ou seja, 2005/2009, estão previstos investimentos de 650 milhões de euros (130 milhões de contos) para o novo aeroporto internacional de Lisboa e de 1,5 mil milhões de euros (300 milhões de contos) para a alta velocidade. Total: 2,150 mil milhões de euros (430 milhões de contos)

Sabem para que servem os 2,150 mil milhões previstos até 2009? Para mais estudos e consultorias, além de expropriações. As obras propriamente ditas - parte de leão dos custos - só começarão após 2009.

Se o dr. Pinho quiser ser intelectualmente honesto pega no valor do investimento total previsto no PIIP, 25 mil milhões de euros (5 mil milhões de contos), e compara-os com o investimento total conjunto da OTA e da TGV, ou seja, 19 mil milhões de euros (3 mil e 800 milhões de contos).
Pode ser?

Já!

Em vez de fazer declarações ridículas, Manuel Pinho devia publicitar os estudos que sustentam a decisão de avançar para a construção de um novo aeroporto internacional na OTA que vai custar entre 3 mil milhões a 5 mil milhões de euros.

Já!, como a Grande Loja propõe.

quinta-feira, julho 28, 2005

A Propósito de Energias Alternativas…



Hoje li isto na versão on-line do Jornal de Negócios:

A hipótese de Portugal perder o investimento estrangeiro de 426 milhões de euros que diversos investidores estrangeiros pretendiam aplicar na maior central eléctrica solar do Mundo, nas minas de São Domingos, é cada vez maior, depois do Ministério da Economia (MEI) ter anunciado que a capacidade disponível para projectos de energia fotovoltaica está praticamente esgotada, não acomodando a capacidade prevista para este projecto.

Apesar de ainda manterem o interesse em investir neste projecto em Portugal, o Jornal de Negócios apurou que a La Sabina, sociedade promotora do Parque Solar de São Domingos, não está disponível para avançar para o projecto de investimento deste parque solar sem a contrapartida estatal para a remuneração da alimentação, alegando que o projecto é economicamente inviável sem subsidiação na tarifa.

Acho esta notícia tão bizarra quanto incoerente. Mas isto sou eu…

"Ausentei-me por 10 minutos. Volto já"

Já se percebeu porque razão António Costa andava tão silencioso e ausente.
Estava a pensar, muito e profundamente, na melhor forma de recuperar o negócio do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal, cuja anulação tinha sido a sua primeira acção como ministro de Estado e da Administração Interna.
Obviamente, que o subsecretário de Estado, Rocha Andrade assume pessoalmente a decisão da renegociação. Costa não se quer queimar. Por muito que a responsabilidade seja exclusivamente sua.
Esperava-se que, resolvido o imbróglio jurídico do negócio de 538 milhões de euros, o número 2 do Governo regressasse rapidamente e em força ao campo da luta política. José Sócrates agradecia.
Mas, não. O senhor ministro da Administração Interna, segundo o Público de hoje, foi de férias. Em época de fogos florestais. Como Fernando Gomes fez um dia.
O príncipe vai por um bom caminho, sim senhor...

Repto a Marcelo

José Medeiros Ferreira desafia aqui Marcelo Rebelo de Sousa a avançar contra Mário Soares nas eleições presidencias.
Pegando na descrição que Marcelo fez do ex-Presidente da República, o "velho porta-aviões, no passado domingo na RTP, o ex-ministro de Negócios Estrangeiros de Soares diz ao "patrulha em fabrico", ou seja, Marcelo, "avançe contra o velho porta-aviões, Homem!".
Marcelo está ansioso por dar o passo - tanto como um miúdo em busca de um gelado num dia de Verão. Mas a conjuntura não está a seu favor. Por muito que ele tente distorcer a mesma.
Não só Cavaco Silva estará presente no campo de batalha, como a direita nunca estaria unida em redor do ex-presidente do PSD.
E se o comentador passasse à acção? Aí é que teríamos de ouvir falar outra vez naquela personagem de "vaudeville" chamada Pedro Santana Lopes.

quarta-feira, julho 27, 2005

A família

O Manuel nasceu hoje. Tenho um novo primo com quem conversar, discutir, concordar, emocionar, chatear, ralhar, endeusar, chorar, rir, enfim, viver a vida todos os dias como se fosse o primeiro do resto das nossas vidas.
Querido primo, seja bem vindo!
Grande Beijo para a Di e um grande abraço para o nosso Roger.
PS - Querida Maria, não tenhas cíumes. Para mim serás sempre "a" princesa.

A credibilidade dos ambientalistas

Como é possível que em pouco mais de 1 ano, a opinião de uma associação ambientalista como a Quercus tenha mudado de forma tão radical no que diz respeito à construção da OTA? (informação obtida via Blasfémia que, por sua vez, obteve via Insurgente)

Onde antes se ouvia que "não só a construção desta infra-estrutura acarreta enormes impactes ambientais e se revela muito mais onerosa como será de difícil construção, dada a tipologia do solo e o biótopo de zona húmida aí existente" , hoje ouve-se que é a "única solução viável".

Onde antes se ouvia que "as faraónicas soluções de drenagem, de desvio das ribeiras da Ota e Alvarinho (com o recurso a uma barragem) e até o eventual terraplenar de um monte para garantir a funcionalidade da estrutura, mesmo com elevadas deficiências de funcionamento (é afirmado que a pista com maior qualidade de utilização é também a que mais incorre em risco de inundação), demonstram cabalmente que esta obra é completamente desajustada à localização pretendida"; hoje ouve-se que encerra alguns problemas, mas é a "solução menos má".

Será que Francisco Ferreira quer destruir a credibilidade da Quercus? Pode-se dizer que os ambientalistas já não têm muita - lembrem-se da nomeação de um ex-líder da Quercus para líder da famosa Fundação das Minas do Samouco; quer a criação da Fundação quer a nomeação do ex-dirigente foram ambas da autoria de José Sócrates.

Mas, enfim, espera-se sempre mais, muito mais, de pessoas que dizem defender os interesses do ambiente em Portugal.

Oh!, senhor Blair...

Desculpe-me o incómodo que não lhe provoco, mas... e a questão do Uganda, agora que se fala tanto na necessidade da instauração da Democracia em vários pontos do globo, porque não uma actuação eficaz com os seus peritos em alvos morenos e balística precisamente no território ugandês para acabar com a chacina do tal exército de libertação que não deixa viver ninguém em paz?

Já não falo numa intervenção como no Iraque, claro, coisa caríssima e não muito prática para ser reproduzida num curto espaço de tempo, mas uma coisa mais curtinha e rápida só para deixar o infeliz do presidente no activo poder copiar a nossa (civilizada) maneira de viver?

Já fez contas às crianças abatidas, estropiadas, abusadas e torturadas, precisamente no mundo em que o senhor e todos nós, os desenvolvidos, vivem?
Desculpe, sim? E não ligue muito ao texto que se segue, por favor. São, decerto, exageros de imprensa!
Outra coisa: não diga nada ao senhor Bush!

Repare, até nem me parece mal defendermos a nossa forma de vida; o discurso é que deveria - talvez, digo eu, o colonialista ignorante - ser coerente. Assim, os menos felizes de compreensão como eu, perceberiam melhor a sua ideia, certo?

Civilians are terrorized in attacks by the LRA.
If individuals are suspected of sympathizing with the government, the LRA uses brutal tactics such as cutting off of hands, ears or lips, to intimidate them.

Kony creates his army primarily through the violent abduction and forced enlistment of children. Children are used as soldiers, laborers and, in the case of girls, sexual slaves. More than 20,000 children have been kidnapped by the LRA.

terça-feira, julho 26, 2005

Isaltino dixit

"Sabendo o que sei hoje, teria mesmo resistido e não teria ido para o Governo. E mesmo quando saí, não teria renunciado ao meu mandato na câmara. Apenas renunciei para que se não dissesse que eu estava a impedir o avanço de qualquer investigação. Mas os oeirenses é que perderam e eu não gostaria de ver esta câmara nas mãos do PS, o que aconteceria se eu não fosse candidato, porque o PS apresentaria um candidato muito forte".
Se ainda havia dúvidas sobre a estratégia de apoio do PS e de Jorge Coelho a Isaltino Morais, o candidato independente à Câmara de Oeiras acabou de dissipá-las aqui.

Estagnação

A antevisão de um duelo Soares vs Cavaco é o melhor exemplo de deja vú político.

Até parece que em 10 anos nada mudou?

Será que esta é a verdadeira prova que como o país se encontra em estado profundo de estagnação?

Oh, senhor Jardim...!

Mas o que quer o senhor Jardim c0m esta história de mais autonomia?
Será que por um traço sinuoso do destino já existiam madeirenses na ilha quando os rapazes do Infante D. Henrique lá desembarcaram?
Se fala muito, ainda vamos ver o senhor Sócrates a anunciar com pompa e sem circunstância a realização de uma ponte para pulverizar essa ideia da Ota!
Repare, senhor Jardim: uma ponte que seria a maior do mundo, e quiçá do sistema solar(!), entre o continente e a ilha, não? Deste modo lá se iam os dinheiritos para o futebol insular, hem?
Oh!, senhor Jardim! Não leve a mal. Isto são ideias de um colonialista ignorante:eu!

Leituras III

Boa posta do DD. Chama-se "A Ternura dos 80". Aqui.

segunda-feira, julho 25, 2005

Este post não é para o João Morgado Fernandes

Para quem deseje saber mais sobre o aeroporto da OTA, visite este site

O Segundo Desporto Nacional!



Acaba o futebol e a nação deprime-se! Alguns, de férias, tentam consolar o desgosto, afogando-o em álcool. Os que trabalham acordam cansados, tristes, deprimidos… Não há bola… A pré-época no fundo é uma coisa sem interesse, é como ver um filme porno quando no fundo o que se precisa mesmo é de sexo… Não se pode discutir o campeonato com os amigos… A vida é injusta! Enfim, para 98% da população (nos quais, graças a Deus não estou incluído) a vida perde todo o interesse. Mas, não fossemos nós o povo reconhecidamente mais inventivo e com maior capacidade de iniciativa da Europa, de há uns anos a esta parte, resolveu-se toda esta questão! Inventou-se o segundo desporto nacional, que tem lugar precisamente durante o hiato de tempo entre épocas do campeonato nacional de futebol. Chama-se Fogonamáta!

O Fogonamáta é um jogo com regras muito simples e garante quase tanta audiência mediática como o próprio futebol, senão vejamos:

Por todo o país existem espalhados vários jogadores com a posição de bota-fogo (digamos, uns 416). Estes são essenciais ao jogo, pois depende da eficácia das suas acções que o jogo em si tenha mais ou menos interesse. Quando bem sucedido, cada bota-fogo terá ateado um ou dois incêndios de média ou grande dimensão numa dada região, que normalmente é a da sua área de residência. Caso falhe a sua missão, ou seja não consiga pegar fogo ou apenas provoque um pequeno fogacho, fácil de apagar, o jogador será sancionado e expulso da liga nacional de Fogonamáta. É por isso que todos os jogadores na posição de bota-fogo tentam dar o seu melhor. Outra penalização possível para os mesmos acontecerá caso seja descoberta a sua identidade. Neste caso procede-se a uma suspensão durante uma época, em que o jogador é condenado a treinar um ano inteiro a pegar fogo a lojas de bonsai podendo utilizar apenas fósforos dos pequenos e sem auxílio de qualquer carburante extra, como por exemplo a gasolina.

Posto o fogo, entram em campo os segundos jogadores, os chamados apagó-fogo, que o público, carinhosamente, apelida de bombeiros. Este grupo, bastante maior em número do que os bota-fogo, tem como missão no jogo apagar os incêndios provocados pelos primeiros. Trata-se de uma espécie bastante interessante, pois dada a sua fraca remuneração e facto de correrem risco de vida, continuam insistentemente a alinhar todos os anos no mediático Fogonamáta (o que atesta o sucesso desta modalidade). Para estes as regras também são simples; basta que tenham o equipamento mais obsoleto que se possa encontrar e o mínimo possível de ajudas do estado para poderem entrar no jogo. O objectivo dos apagó-fogo é sofrer o mínimo de baixas apagando o fogo no menor espaço de tempo possível. Dadas as condições precárias em que desempenham a sua função e os elevados riscos envolvidos na mesma, estes são normalmente muito apreciados pelos adeptos deste jogo, chegando mesmo a atingir o estatuto de heróis (se bem que os mesmos adeptos, ou pelo menos a maioria, se está completamente nas tintas para dar qualquer espécie de apoio prático ou concreto aos mesmos, parecendo que consideram os aplausos e umas frases bonitas o suficiente para o efeito).

Os terceiros e últimos participantes têm um papel mais passivo. No entanto a sua função não deixa de ser fundamental para o desenrolar do Fogonamáta. São eles as forças nacionais de segurança e a classe política. Ambos têm duas funções no jogo. A primeira é mediatizar com alguma regularidade uns discursos de motivação aos apagó-fogo, mostrado algum interesse pelo seu trabalho e dando a ilusória esperança de que o mesmo vale a pena. Nesta acção cabem ainda umas promessas para o futuro que, por razões óbvias, nunca são cumpridas. A segunda é garantir a protecção e segurança dos bota-fogo, pois ao longo do jogo é natural que (como acontece com os árbitros no futebol) a população interprete as suas acções como erradas e lhes queiram fazer a folha. Ora o estado tem de garantir que estes jogadores cumpram a sua parte em segurança, pois são jogadores muito caros e com um know-how e uma determinação que os tornam preciosos. Até porque a sua extinção significaria o fim da própria modalidade e portanto uma grave crise no sector dos media durante o período do Verão, o que, vamos lá ser honestos, não interessaria a ninguém. E é isto o Fogonamáta, o segundo grande fenómeno português a seguir ao futebol!

PS – A mim e à minha família já arderam algumas propriedades, das quais dependiam rendimentos importantes. Aos bombeiros deste país deixo um obrigado sincero pela sua coragem e determinação e faço votos para que num futuro próximo lhes sejam dadas as condições e o reconhecimento REAL que merecem. Aos incendiários deixo aqui uma mensagem de ódio pessoal, desejando apenas que se não arderem por cá num dos seus próprios incêndios, acabem por arder nutro sítio a que muitos chamam de inferno!

Contra-resposta a João Morgado Fernandes

Confesso que, depois de ler a resposta do João Morgado Fernandes (JMF), continuo estupefacto com os argumentos utilizados. A carreira de jornalista de JMF merece-me respeito, e, precisamente por isso, a minha incredualidade permanece.

Seja como for, aqui está a minha contra-resposta:

1 - Começando pelo menos importante. Na questão do alargamento escrevi sempre sobre o sub-lanço de Aveiras/Santarém. Nunca sobre o sub-lanço Alverca/Aveiras. Este já tinha três faixas em 2001. O de Aveiras/Santarém só passou a ter três faixas a partir deste ano. No entanto, ambos poderão necessitar de um alargamento para quatro faixas, por causa do aeroporto da OTA.

2 - Confesso-te, João, que me impressionou, desculpa a redundância, o ataque que fizeste à ciência. Afirmar que os "argumentos técnicos se destinam a sustentar uma tese prévia" e que, na questão da OTA, "a ciência é posta muito rapidamente ao serviços das convicções", é uma falácia dantesca que só poderia provir - caso eu não soubesse antecipadamente, por muito que não te conheça, que não provém - de radicais. Em temáticas como o aborto, já se ouviram argumentos semelhantes a fundamentalistas religiosos.

3 - Aliás, João, quem escreve a seguinte frase és tu, não sou eu: "prefiro, por isso, ficar-me pela apreciação da espuma da decisão política. E, face às indecisões de décadas, confio nas decisões do presente. E volto a insistir - confio porque decidi confiar e não por ter feito qualquer estudo sobre a matéria". A tua legítima "confiança nas decisões do presente" quase que se assemelha a uma fé.

4 - Lamento João, mas no meu caso não há nenhuma "tese apriorística". Por acaso, e só para que saibas, no início da discussão quase clubística "Rio Frio/OTA" até era a favor desta última. Mudei de opinião depois de ter lido e falado com técnicos que me demonstraram, de forma fundamentada, o contrário.
Além do mais, caso tu não tenhas lido, eu sou a favor da construção de um novo aeroporto internacional de Lisboa. Do que discordo é da localização na OTA e do "timing" do anúncio.
Desculpa, João, não "confio" como tu. Tens o direito de ter decidido em confiar. Mesmo que seja cegamente. Tal como eu tenho o direito de não confiar.
No que diz respeito à localização, já expliquei porquê. Quanto ao "timing" porque, em primeiro lugar, ainda não foram concluídas as negociações sobre as perspectivas financeiras da União Europeia - logo, não sabes o volume dos apoios que poderás receber da UE.
Depois, meu caro, o país vive uma situação difícil em termos orçamentais. Ainda não vi fundamentados - como tu ainda não viste, apesar da "confiares" - por "A" mais "B" como é que o crescimento da economia portuguesa será promovido com a OTA. Ou seja, como é que os mais de, para já, 3 mil milhões de euros vão ser rentabilizados. Isto é, como é que a OTA exponenciará o crescimento económico.

5 - Não podes basear a construção de um aeroporto noutra coisa que não os estudos dos técnicos das diversas engenharias em causa. A não ser que desejes que os investimentos de milhares de milhões de euros sejam decididos, simplesmente, por molhar o dedo indicador, pô-lo ao vento e decidir: "sim senhor, não há vento. Pode ser aqui".

6 - Falas em teorias conspirativas sobre a OTA. Parece-me que te enganaste no destinatário. Mas, já agora, agradecia que me dizesses onde está a minha tese de cabala.
Será conspirativo escrever, ironicamente, que as empresas de construção cívil adorarão obras como a OTA, não só pela sua dimensão orçamental como também pelas dificuldase geológicas e hidrográficas inerentes ao próprio projecto? Se achas isso conspirativo, faz-me um favor: descobre uma grande empresa de obras públicas portuguesa que seja contra a OTA ou o TGV? Se conseguires descobrir, tens uma notícia.

7 - Mas, sinceramente, o mais grave é quando escreves que dispensas de "sequer de tentar ler os famosos estudos". Confesso-te que a tua confiança cega, perturba-me. Ler que um jornalista prefere viver na ignorância, porque "confio nas decisões do presente", é extremamente perturbador.
Não estão em causa convicções ou opiniões políticas. Essas, sejam elas quais forem, são legítimas. Não é isso.
O que me perturba é que tu prefiras viver na ignorância, porque "confias no presente". Fazes-me lembrar os cavaquistas anónimos da primeira metade dos anos 90 que não queriam saber dos monstruosos desvios financeiros da construção das novas auto-estradas, porque, precisamente, "confiavam no presente".

8 - Só para terminar, aconselho a leitura deste artigo, publicado no "Diário de Notícias".

Os melhores cumprimentos

Leituras II

"A compra de 30% da sociedade que controla a TVI pelos espanhóis da Prisa é o culminar de um processo de que muita gente sai mal vista. Em primeiro lugar, a Autoridade de Concorrência, que adiou, para lá do admissível, o parecer sobre a venda da Lusomundo a Joaquim Oliveira - e que agora lhe dá luz verde para melhor fazer passar na opinião pública esta nova operação; em segundo, o Governo, que manifestamente queria que a Prisa tivesse uma presença nos media em Portugal e que jogou com a Autoridade de Concorrência; e, em terceiro, Miguel Paes do Amaral, que depois de ter vendido dois mais antigos títulos económicos do país ("Semanário Económico" e "Diário Económico") aos espanhóis da Recoletos, vende agora também a espanhóis a estação qie, de momento, é líder das audiência. Paes do Amaral confirma-se como um mero investidor financeiro apátrida no sector dos media. Bem pode mudar o seu título para Conde de Anadia... e Vasconcelos"
Nicolau Santos in "Expresso - Caderno de Economia"

Leituras I

"Já que é conde, foi coerente ao transferir para Espanha, que é uma monarquia, o controlo da TVI. Agora que aderiu ao clube, presidido por Diogo Vaz Guedes, dos portugueses que venderam os activos a Castela, vai com certeza ficar com mais tempo livre para se dedicar às corridas de automóveis. Por supuesto!"

Jorge Fiel, in "Expresso - Caderno de Economia"

15 dias mudam muita coisa

Sabiam que o novo ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, 15 dias antes de tomar posse, tinha sido vetado pelos accionistas privados para a presidência executiva da Portugal Telecom? Sabiam que Mário Lino, ministro das Obras Públicas com a tutela da PT, foi quem sugeriu o nome de Teixeira dos Santos?
Não admira, portanto, que o sucessor de Campos e Cunha apoie a OTA e o TGV, os principais projectos de Lino.
A razão do veto prendeu-se com a "excessiva" ligação ao partido governamental, o PS.
Eis mais uma prova de como o poder económico manda mais que o poder político.
Não deixa de ser desprestigiante para o Estado que um homem que foi alvo de veto para líder da maior empresa portuguesa, seja convidado para ministro das Finanças do Governo português.
Embora com atraso, não deixo de desejar a melhor sorte a Fernando Teixeira dos Santos.

Leituras

Bom post este . Demonstra como a esquerda portuguesa vive agarrada a conceitos do século passado que já não fazem sentido.