terça-feira, setembro 27, 2005

O avião!







Imagine-se Portugal visto do ar.

Aconteceu que, hoje, ao ler esta notícia, fiquei deveras impressionado. Pensei, ás tantas, que havia sido composta apenas para enfeite do meu desconfiado imaginário.
Entretanto, belisquei-me, e, ainda sem querer acreditar na veracidade da impertinente dor causada pelo resultado desagradável da prova a que me submetera, resolvi tirar um cochilo, na intenção de desmentir o sucedido, o que sucederia no momento do regresso à vida real.
E sonhei! Sonhei com uma situação que teve o condão de me ter colocado, ao acordar, perante uma situação que considero bem mais aflitiva. O sonho surgia-me como a consequência tardia da incómoda notícia.

Ano de 2050. A cena tinha lugar no interior de um pequeno helicóptero, onde pai e filho reflectiam acerca da paisagem que iam observand0, de forma admirada e atenta.

Dizia-lhe o pai, com terna paciência :

"... vê, meu filho, estamos a sobrevoar Portugal, o nosso adorado país que, dando uma imagem de vitalidade e força numa altura em que a nossa Europa se desunhava para conseguir ultrapassar os males intestinais que a perseguiam vigorosamente, resolveu investir - sem medo - em... 'aeroportos".

E os
aeroportos, às centenas, todos alinhados em intermináveis filas, desfilavam pelos seus olhares, tocados de um espanto cada vez maior!

"Muitos! Nasciam como batatas." continuou o pai, "Na ideia dos nossos passados benfeitores, tantos seriam eles, os aeroportos, que acabariam por obrigar o mundo, espantado e de olhos pregados em Portugal, a curvar-se diante do país e a conceder-lhe a importância desmesurada que ele sempre ansiou ter. Tornar-se ia, assim, um parceiro de peso, merecendo por isso o respeito dos demais." O miúdo, entretanto, olhava o pai com admiração e acentuada curiosidade!

"Meu filho, aproveitando o facto dos deuses dos ares haverem sido benéficos para com o território nos primeiros cinco anos do século XXI, amputando-o do verde vital através de ainda hoje inexplicados fogos que apareciam inesperadamente, de alto a baixo, esses nossos heróis governo-pensadores da altura, resolveram investir todo o pouco dinheiro que se encontrava no fundo dos bolsos mais bem guardados, em aeroportos, ideia terrivelmente inovadora, nessa altura de tantos perigos." Agora, o vigor do pai, orgulhoso da descendência de tão brilhante espécie de ideólogos, encontrava-se em crescendo e já a sua cara espelhava uma satisfação incontida, transbordante de uma inevitável vitória impossível de conter, mas não de contar.

"E foi assim, meu querido filhinho, que nós, os portugueses, os maiores construtores do mundo conhecido, soubemos resistir ao que na altura parecia ser uma situação perdida.
O dinheiro passou a entrar a jorros no país, as pessoas passaram a ser ricas e felizes, os outros europeus e cidadãos do mundo, ao perceberem que a única coisa que podiam cá fazer era aterrar de qualquer maneira e em qualquer posição, resolveram destruir todos os seus inúmeros e velhos aeroportos, passando, todos eles, a utilizar os abençoados aeroportos portugueses.
E desde aí - meu adorado filho - Portugal passou a ser conhecido em todo o mundo como... o avião!"



Os mistérios de... Jorge!







"No PS, as pessoas tomam as atitudes que entendem e são depois avaliadas pelos seus actos politicamente", avisou Coelho.

'Alegre... não é problema!'










Oh, senhor doutor Soares, então não há mesmo problema?

sábado, setembro 24, 2005

Um Pedro especial...

Também o 'povão' deve ter ficado estupefacto com esta 'lusa lei', que faz com que Pedro Santana Lopes se encontre reformado aos 49 anos, por 30 anos de exercício de cargos públicos.
Está na lei, está na lei! Cumpra-se.
Já Cavaco Silva se quedou estupefacto - só pode ter sido com a lei em vigor! - com o caso de Fátima Felgueiras, dizem as notícias de ontem.
Bem, estamos a entrar na próxima fase do desenvolvimento sustentado; chama-se a fase da 'estupefacção'!
E pensar que os nossos 'fazedores de opinião' têm sustentado nos últimos tempos a ideia de que Portugal é um país modelo, no que se refere a leis!

Só Mais Uma Noite Com ELLA!



Bem sei que este post chega tarde e a más horas, mas não posso deixar de recomendar aquilo que vi ontem à noite e considerei um dos melhores espectáculos de palco a que assisti no nosso país. É da companhia Lisboa Ballet Contemporâneo e chama-se “Uma Noite Com Ella”. Esta performance de dança contemporânea pretende ser um tributo à vida e à música de Ella Fitzgerald, sendo dela portanto todo o pano de fundo sonoro. Em termos cénicos, a luz e a cor ganham dimensões espantosamente expressivas dada a simplicidade das opções utilizadas, que contribuem em muito para aproximar o espectador de uma outra dimensão, perto dos sonhos, onde nos deixamos embrulhar num manto quente, tecido de musica, cor, luz e movimento.

Sem dúvida um espectáculo a não perder, coreografado e cenografado por Benvindo Fonseca e com a participação de todos os bailarinos da companhia: Isadora Ribeiro, Alessandra Cito, Ana Santos, Ângela Eckart, Débora Queiroz, Hugo Martins, Marcelo Magalhães e Nuno Gomes. Partidipam ainda o saxofonista Eddy Jam e a cantora Marta Platier. O desenho de luz é de Paulo Graça e os figurinos de José António Tenente.

Quem quiser passar a “Noite Com Ella” só tem hoje, Sábado às 21h00 para o fazer, no Teatro Camões, Parque das Nações. Os bilhetes variam entre os 5,00 e os 20,00 euros, por isso não há desculpas! Vale mesmo a pena ver.

quarta-feira, setembro 21, 2005

A Pior Série de TV do Mundo!



Hoje perdi algum do meu tempo a ver mais um episódio daquela série que passa no canal AR. Para que não esteja a ver o que é: Assembleia da Republica. Fiquei triste com a falta de qualidade dos conteúdos deste canal, hoje talvez mais do que nunca. Para além do argumento em geral ser mau e a execução técnica medíocre, o casting é pouco interessante e os temas demasiado “batidos”. Como qualquer programa de televisão, também este tem uma fórmula que, a meu ver, já está gasta e cai no pior dos erros, é previsível. Achei bastante penoso e injusto o personagem Mendes ter um guião muito mais fraco que o do seu antagonista Sócrates.

Quem escreve os diálogos do Sócrates, embora esteja longe de ser genial, apesar de tudo consegue um discurso mais “cheio” e vivo, mostrando nitidamente de que lado está o dinheiro. O Mendes por seu lado, dependia de um texto fraquinho, murcho, sem a força e a vitalidade que os opositores em qualquer série costumam ter. Fez-me lembrar um filme que detestei por isso mesmo, “O Gladiador”, em que de um lado temos um Russel agressivo, sanguinário, ex-militar, invencível e virtualmente imortal e como antagonista, aquela amostra de actor o Joaquim “Fonix”, um débil e efeminado imperador, cheio de maneirismos desinteressantes e sem cara para levar um par de estalos, muito menos do Russel, que desde os primeiros minutos de confronto é claramente o vencedor.

Ora se o mau não mete medo e o bom é infinitamente mais forte e superior (atenção, esta questão de "bom" e "mau" não se aplica directamente à série da AR, porque aliás, para mim são todos facções do mal. O interesse deste exemplo é apenas o desiquilibrio de forças entre antagonistas), qual é o interesse do filme? Pois foi exactamente isso que hoje senti a ver a tal série da AR. Aquilo cá para mim já não dura muito. Quem aguenta anos a fio ver uma data de gajos com gravata, num décor todo em madeira que a única coisa que fazem é ataques, defesas e contra-ataques, sempre da mesma maneira e sobre os mesmos temas? Se ainda avançasse, se houvesse aquela dinâmica das séries americanas em que a cada episódio as personagens se deparam com um problema e têm obrigatórimente que o resolver, fascinando o público com o rol de idéias que trocadas entre presonagens dão origem a uma solução, acabando por ter um papel didático junto do espectador, isso está bem. Sempre empolga e dá alguma emoção à coisa. Agora aquela pastelice? Pelo amor de Deus!

Já agora, só uma nota com graça. Isto da televisão é de facto um perigo para mentes mais incautas. No outro dia encontrei uma pessoa que estava convencida e me queria convencer a mim que a série que passa no AR é mesmo verdade e que aquele bando de actores de segunda são mesmo uns gajos que governam o nosso país… Fartei-me de rir!

Estou Alegre, porque não estou só!

Admiro os poetas. Todos os poetas. Todos. Sem excepção.
Até os maus poetas têm desculpa - o que não é o caso, como verão! -.
E têm desculpa porque trilham os caminhos que os separam da perfeição. Buscam-na, uns com mais paciência, outros, talvez, com a insustentável leveza do ser que muitas vezes os define.
E nisto do caminhar pode ser encontrada a chave do homem contemporâneo: a busca é mais importante do que o resultado, diz quem sabe. E porque não, o sonho ainda comanda a vida!

Foi com alegria - por ficar confortado relativamente à conclusão: - não estou sózinho!, continuo a ter reservas ao funcionamento partidário em Portugal - que li uma crítica, e tão dura ela é, acerca do mal dos aparelhos partidários na realização da democracia, como ele a entende, possivelmente misturando ingredientes de insuficiente proteína animal no miolo, tornando-a assim numa utópica questão, q.b..
Alegre chega a referir-se a ela como sequestrada! Aqui, o desencanto do político é total. Eu nunca me atrevi a tanto! E não tenho a responsabilidade que Alegre carrega, como iniciado num partido de referência da cena política portuguesa e como passado/futuro candidato presidencial. Mas foi esta democracia, foi este resultado que ele e todos os seus contemporâneos construíram. Ou não terá sido assim?

É sempre complicado, no término de qualquer obra, o artista perceber que, afinal, a teoria onde se apoiou para a produção da obra não continha argumentos suficientemente sólidos para a desejada consolidação da estrutura.
Não estará sequestrada a disputadíssima democracia portuguesa; as suas instituições, mal ou bem, parecem ir funcionando, embora fora dos cânones do desenvolvimento pretendido, arrastada e muito pachorrentamente, com um futuro complicado; bem, 'vai-se andando', como se diz por cá.
Talvez tenha no seu útero um traço darwiniano levado ao extremo pelo sentir lusitano, que nestas coisas de sobrevivência nunca brinca nem brincará!

Meu caro, deixe-me tratá-lo por Manuel, o Alegre neste caso não fará muito sentido, presumo. Também eu fico muitas vezes a cismar: que bom seria viver a democracia (em Portugal) se conseguíssemos ser aquilo que não somos!

terça-feira, setembro 20, 2005

O país da pequenada!

A democracia, senão for ensaiada, ensinada, regada a partir de tenra idade, da mesma forma que se mata a sede ás plantas de um jardim, dificilmente irá ser percebida e vivida por um qualquer cidadão.

É importante explicar o que é o Estado, como se compõe, quais os factores determinantes para a sua existência, o que são as forças de segurança, de quem dependem, qual a sua especial situação relativamente ao resto dos cidadãos, etc.. Seguidamente, devem ser explicadas as regras para a manutenção de um estado que se pretende democrático. Certamente, existirão constituições menos dúbias que a nossa em aspectos fundamentais no regular funcionamento de países democráticos.
Apesar de serem passíveis a aplicação de algumas originalidades, no âmbito da vivência democrática, que acabam por dar sentido ao seu desenvolvimento como processo e sistema politico, haverá sempre lugar à execução de algumas práticas provenientes de exemplos já testados em lugares, sem dúvida, mais desenvolvidos, democraticamente, e com mais tempo de vida dessa apetecida vivência.

É sabido que todas as questões que relevam da relação entre Governos e instituições militares, especialmente aquelas que dizem respeito às condições de manutenção, proventos e privilégios dessas instituições, devem ser tratadas com um sentido de estado efectivo pelas duas partes. Essa relação, para bem de todos os cidadãos, da sua paz e da sua segurança, jamais deverá descer à praça pública, e deverá, do mesmo modo, estar salvaguardada pelo carácter especial que define a ligação entre as partes acima referidas.

Ou seja, quando a rua sobrevém numa relação entre estas entidades, estamos (a população, os cidadãos), seriamente ameaçados.
Se vivêssemos num estado ditatorial, estaríamos em presença de uma divisão perigosa que poderia (porque não?) levar até a um hipotético estado revolucionário; no caso actual, pensamos que este pretenso confronto – em virtude do nosso estado democrático e da nossa posição como elemento de direito da UE – prefigura uma anomalia, uma doença estranha e perigosa no tecido militar, braço natural do nosso estado democrático.

O que se tem passado com a tal Associação que provoca, convoca o povo de Lisboa, fala em passeio desarmado, controla os fóruns de rádio, insulta o Governo chamando-lhe de prática fascista (se lá estivesse a oposição o léxico não derivaria), etc., é um insulto ao bom senso dos contribuintes e ao pretenso desenvolvimento da democracia portuguesa.

A democracia tem contornos processuais que limitam, felizmente, a tendência que cidadãos menos precavidos têm para reagir impulsivamente a situações que lhes são, por vezes, e como acontece com outros sectores da vida publica e privada, desfavoráveis.

Que se cumpram as regras democráticas e que se enviem os nossos militares para os quartéis – já -, porque a brincadeira está, na minha opinião de cidadão, a ir longe demais.

Será talvez desnecessário referir-me ao papel hipócrita que o PCP tem demonstrado nesta fase de descontrolo mediático, acirrando os ânimos quando deveria ter decoro pelas regras que também são as suas, porque faz parte deste estado e deste país.

Outra coisa: os tempos mudam, e com o tempo tudo muda. Se por um acaso próprio da história das gentes, os militares e as suas associações não percebem que os seus problemas devem ser resolvidos nos locais apropriados, segundo a norma que lhes é própria, então, nós, portugueses do século XXI, estaremos a passar a ideia aos parceiros actuais europeus e ao mundo em geral que acabámos de inaugurar a vida de um país no reino do absurdo.

Consegue ver a morte?













Estas três personagens, normalíssimas (à primeira vista), passageiros de uma carruagem qualquer, numa cidade qualquer, num país qualquer, preparam-se para se fazerem explodir em local por eles estudado, com minúcia.
Londres
, uns dias depois desta cena, precisamente no passado dia 7 de Julho.

A especialização do 'terror' - uma criação apenas ao alcance do ser humano!

É mesmo fraco!

Alguém percebeu porque estava o 'comunicador' da Sport TV a mandar loas para o ar, dizendo que se tinha acabado de assistir a uma segunda parte espectacular, no Nacional-Sporting de ontem à noite?

O Co tem total razão: além da nossa Liga ser fraquíssima, ainda temos que levar com 'promissores rapazes' a contar histórias do outro mundo acerca da 'desgraçada'.

E o professor Peseiro também parece não ter percebido que a final perdida do Sporting e todas as vitórias do José Mourinho no FCP, nos últimos anos, não chegam para validar a dica de que o rei vai e continua nu!

sábado, setembro 17, 2005

É pena...!

Com pena, assisti hoje a uma má prestação de uma personagem que deveria ser exemplo ou parte da referência para o futuro da democracia, em Portugal.
Almeida Santos falhou!
Terá sido o receio que se lhe propõe através de uma vista amargurada do país democrático que ajudou a criar? O receio de passear o olhar por uma terra portuguesa, hoje, sem as armas do conhecimento necessárias para evitar a perda da sua independência, num futuro que se antevê algo cinzento, para mal dos nossos pecados?
Quer ele queira ou não, este país tem a sua marca ou a sua concordância.
Agora, cede à tentação hipócrita de considerar um iminente candidato à Presidência da República, Cavaco Silva - que faz parte integrante desse Portugal por ele sonhado e pouco realizado - uma assombração próxima de Salazar.
É pena...!

sexta-feira, setembro 16, 2005

Guernica


Pablo Picasso (1881-1973)

Durante a ocupação nazi, um oficial da Gestapo brandindo uma reprodução da obra Guernica* perguntou ao Picasso:
-Foi você que fez isto, não foi?
ao que Picasso respondeu:
-Não, foram vocês.

*Guernica - capital da província Basca que a 26 de Abril de 1937 foi alvo de bombardeamentos por parte de aviões alemães por ordem do General Franco.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Estradas, Carros & CIA. – II



A questão que pretendo abordar com a exposição do artigo seguinte, prende-se com uma grande preocupação minha no que toca ao tema da “responsabilidade” quando se fala no monstruoso grau de sinistralidade automóvel que se vive em Portugal. Mais uma vez é o caminho do fácil e aparentemente óbvio que reina quando se trata de justificar as razões para este flagelo. A culpa é sempre do condutor e sempre pelas mesmas razões: Excesso de álcool e excesso de velocidade (nunca é sequer mencionada a velocidade excessiva, essa sim, causa de muitos acidentes e mortes na estrada). E a própria estrada? Quem não correu já o risco de sofrer um acidente devido ao mau estado de conservação, ao traçado incompetente ou à má sinalização de uma via? E nestes casos, quem se responsabiliza? Quem paga multas ou vai a tribunal acusado como assassino? Espero que o texto seguinte vos ajude, como a mim ajudou, a compreender uma parte das causas deste grave problema.


FALTAM 100 MIL QUILÓMETROS POR CLASSIFICAR
PORTUGAL É REINO DE ESTRADAS SEM DONO

Os números são impressionantes. E elucidativos. Em Portugal, em pleno século XXI, existem ainda cerca de 100 mil quilómetros de estradas sem “proprietário”. Ou seja, vias pelas quais ninguém responde e cujas condições de circulação atingem, muitas vezes, o grau zero. Como se observa no gráfico* apresentado pelo Centro Rodoviário Português, as redes municipais são aquelas que mais preocupam, já que ninguém lhes parece querer pegar. Sabe-se que a administração central pretende passá-las para a esfera de competências das autarquias. E que estas se dizem sem condições financeiras para as suportar sob a sua tutela. O consenso não se avizinha para breve, mas, segundo fonte afecta ao ministério das Obras Públicas, passará pela participação activa de empresas privadas na responsabilidade, gestão e manutenção destes troços verdadeiramente “órfãos” de pai e de mãe.

In: Automotor, nº195 – Vol. 17 – Setembro de 2005


*Na impossibilidade de reproduzir a imagem do gráfico, coloco abaixo uma lista com os valores indicados no mesmo.


EXTENSÃO ACTUAL CLASSIFICADA:

Auto-Estradas: 3.000 Km
Rede Nacional: 8.000 Km
Redes Regionais: 5.000 Km
Redes Municipais: 100.000 Km



EXTENSÃO A CLASSIFICAR:

Auto-Estradas: 0 Km
Rede Nacional: 0 Km
Redes Regionais: 15.000 Km a 20.000 Km
Redes Municipais: 80.000 Km a 100.000 Km

No comments!

Estradas, Carros & CIA. – I



Como todos sabemos, o carro e o condutor são dois dos alvos favoritos dos cofres do Estado. Desde o I.A. (Imposto Automóvel) até ao C.E. (Código da Estrada) tudo é meticulosamente concebido de modo a garantir uma despesa absurda por parte de quem tome essa corajosa opção que é a de possuir um automóvel. Como amante que sou dessas máquinas vulgarmente conhecidas como carros, pretendo com esta espécie de rubrica a eles dedicada (e a tudo o que lhes diz respeito) partilhar convosco alguns factos chocantes e a meu ver de extrema injustiça num país onde o discurso politico diz pretender salvar vidas mas na prática as acções se resumem a encher cofres.

INFRACÇÕES DE TRÂNSITO “PERDOADAS”
DESPACHO AMIGO DAS ALTAS PATENTES

Três detentores de cargos políticos foram perdoados de infracções de trânsito que praticaram, ao abrigo de um despacho emitido pelo Comandante-Geral da GNR em funções em 1986. Jorge Lacão (PS), Pedro Duarte e Castro Almeida (PSD) são apenas os rostos conhecidos de um número indeterminado de políticos, magistrados, diplomatas e agentes de forças de segurança que beneficiaram da isenção de pagar as respectivas coimas de trânsito durante um período de nada menos do que 16 anos (1986-2002)!

Segundo o Correio da Manhã, que revelou o caso, a circular 3177 foi tornada publica pelo advogado de um dos 195 agentes da Brigada de Trânsito suspeitos de corrupção, Manuel Matos Antão, durante a 15ª sessão do julgamento a decorrer no tribunal de Sintra.

O documento, datado de 30 de Abril de 1986, foi assinado pelo então Chefe de Estado-Maior da GNR, brigadeiro António Marquilhas, e ordenava que “todos os condutores infractores cujas qualificações profissionais encaixassem nesta directiva fossem apenas identificados e alvo de uma participação aos respectivos superiores hierárquicos”, incluindo esta norma tanto viaturas do Estado como particulares. Todavia, ao Correio da Manhã, o autor da polémica missiva, António Franquilhas, confessou já não se recordar do contexto em que terá elaborado tal texto, garantindo, porém, que no mesmo apenas estariam consagradas as infracções cometidas “em missão de serviço”.

Recorde-se que a revogação deste despacho apenas aconteceu a 12 de Novembro de 2002, pela mão do, à data, Ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, coincidindo este acto, muito oportunamente, com a “explosão” da polémica da alegada corrupção da BT.

In: Automotor, nº194 – Vol. 17 – Agosto de 2005

Mas, garanto-vos eu com conhecimento de causa, que ainda hoje um rosto conhecido ou um nome proeminente certamente evitarão o pagamento de uma coima, sendo este portanto um problema de conduta e não apenas uma questão ligada a qualquer circular ou outro tipo de documento.

segunda-feira, setembro 12, 2005

O Fim Do Verão!


Claude Monet

Eis que chegámos ao fim do Verão. É tempo de voltar ao trabalho, ao stress da cidade, ao convívio com os rostos conhecidos, aos locais por algum tempo esquecidos. Para trás ficam o mar, o calor infernal (mas tão bom), o descanso cansado e as vergonhas de um país queimado.

Foi mais um ano excelente para o negócio do fogo e, ao avaliar as medidas anunciadas pelo governo (e porque não sobra muito mais para queimar), atrevo-me a dizer que este talvez seja o último, pelo menos com as dimensões a que nos temos vindo a habituar. Para as televisões isto será um drama em termos de audiências. A partir de agora, durante o Verão, vai ser mais difícil conseguir a quantidade monstruosa de material vendável que os incêndios proporcionam. Dantes eu achava que era a espectacularidade das chamas gigantescas e a bravura dos homens que as combatem que faziam vender o peixe a essa cambada abutres necrófagos, mas este ano percebi que não. É ainda pior e mais decadente. O que vende pelos vistos são os gritos e as lágrimas daqueles que tomados de uma total inépcia constatam o tudo perdido, queimado, enegrecido. Ponham umas senhoras aos gritos, a dizer que já não têm nada e aquilo vende. Os homens não rendem tanto, choram menos e não gritam, pelo menos não com a estridente frequência aguda que a mim me faz desejos de rebentar a televisão, ou mais pacificamente, mudar de canal. Nada mais interessa. Umas entrevistas de conteúdo vago com uns presidentes da Câmara, ou das Juntas, uns bombeiros exaustos, umas árvores a arder… Tudo acessório, servindo apenas para compor a reportagem e “ensanduichar” o essencial, a gritaria das senhoras que tudo perderam. Ás vezes há uns bónus, animais esturricados ou alguém que morreu. Também isso vende bastante, mas é mais raro e arrisca (no caso dos bichos calcinados) a que certa gente mais sensível mude de canal. O problema é que os velhos (e Portugal está cheio deles), parecem hipnoticamente atraídos por tudo quanto é desgraça e trágico fado, dos outros claro. Os gritos de sofrimento são baladas de encantar e a perda de vidas inteiras alimentam a catarse daqueles que, tendo perdido as suas, se deixam definhar em frente ao aparelho esquecendo o mundo inteiro de que ainda podem desfrutar, mas que se tornou perigoso demais, porque o enervante objecto parlante assim lhes diz e disso os convence. Por isso o melhor é ficarem ali, sentados a morrer lentamente, embalados pelas desgraças que os vão aproximando da cova e aumentando o temor a Deus e aos homens.

Agora, só para desanuviar, vou armar à revista da moda e fazer uma pequena lista de “MAIS” e “MENOS” deste Verão:


MAIS:

Tamariz (Estoril) – A selva, no bom sentido. O único sítio com vida nocturna a sério para quem fica por Lisboa ou arredores em Agosto. Pouca roupa e muita acção num espaço agradável em frente ao mar.

GNR (BT)Embora não perdoem (o que dói, a mim doeu-me 250,00 €) e as “operações STOP” soem a uma grande “tanga” (o que interessa não é salvar vidas, mas encher cofres), o facto é que os agentes estão cada vez mais polidos e educados. Comunicam de forma coerente e compreensiva com o público alvo (a malta jovem dos 18 aos 35 que anda nos copos) e pode dizer-se que quase atingem o estatuto de “baris”.

Algarve (Água do Mar) – Três meses de água quente e quase sempre limpa. Ao contrário de tudo o que depende da intervenção humana: Algarve - A natureza no seu melhor.
Casa da Guia (Cascais/Guincho) – Um dos sítios mais agradáveis nos arredores de Lisboa para se tomar um copo ao fim da tarde ou jantar nas noites quentes do Verão. Acolhedor, simples e de certa forma original, não sofre do pretensiosismo característico deste tipo de oásis da qualidade de vida.

C.I.’s (Corpo de Intervenção) – Treinados para bater e controlar multidões, são de uma grande eficácia na resolução dos problemas característicos de noites quentes com muito álcool à mistura. Resolvem e fazem esquecer qualquer cena de pancadaria em cerca de um minuto e vinte e três segundos, contados ao cronómetro, trazendo de volta num ápice, a paz e serenidade de uma calma noite de Verão.


MENOS:

Algarve (Turismo) – Junho e Julho sem ninguém e em Agosto a abarrotar. A maior discrepância de que tenho memória. Sempre desagradável pelo excesso dos extremos. A falta de infra-estruturas para as grandes enchentes de Agosto, tornam o Algarve num verdadeiro pesadelo. Pior até do que Lisboa na altura do Natal. No entanto é de assinalar o crescente civismo sentido nas praias, onde verifiquei uma acentuada diminuição de jogos de futebol organizados por animais acéfalos “em cima” das pessoas e outras barbaridades desrespeitosas afins, tornando tudo mais calmo e agradável.

Televisão Portuguesa (Canais Generalistas) – Deplorável. Do pouco que vi tive vontade de não ver mais. Especial relevo para os noticiários com a sua postura brejeira e populista, denotando a crescente falta de rigor e moralidade (sobretudo no que toca aos incêndios). Há quem fale mal da ficção portuguesa (séries, novelas e programas humorísticos), mas atente-se na forma como é tratada a realidade e de repente tudo isso parecem programas de luxo.

Governo Cada vez menos preocupado em disfarçar o seu papel de fantoche ao serviço dos grandes interesses económicos. Vergonhosa actuação dos seus membros em diversas ocasiões muito em especial no tema do fogo.

FogoAgora sim foi o limite. Já ninguém duvida que a mão criminosa não é a de uns loucos espalhados pelo país com fósforos e latas de gasolina. A máfia do dinheiro mostra os dentes em Portugal e o povo fica a ver, de braços cruzados e lágrimas nos olhos.

Clube KUm espaço agradável e bem conseguido. Infelizmente corre-se o risco de o staff, talvez pelo espírito contagiante da clientela, encarnar a ideia de que também eles estão de férias. Numa noite com pouco movimento (sim, pouco movimento na segunda quinzena de Agosto) é mais ou menos assim: Um porteiro com ar de mau, como parece ser da praxe no grupo K; Uma porteira mágica (não está lá quando se entra, mas quando se sai: tcha-raam…); Um consumo mínimo obrigatório de 15,00 € (que só dá direito a uma bebida, o que se torna muito mais caro que o Lux); E uma menina (única) da caixa que entrega os tais cartões obrigatórios e que também não está lá. Esta não por magia, mas porque faz anos e foi beber uns shots com os colegas! E eu? Quanto tempo tenho de esperar até poder beber os meus? Ridiculamente pretensioso, um estabelecimento que quer primar pela exclusividade e onde nada funciona.

Segurança Social (Av. Da República) – Dois dias lá passados para pagar a “cotas” em atraso ensinaram-me o seguinte: Uns tipos que se dizem "aflitos" de dinheiro e falidos não têm uma porcaria de um terminal de MultiBanco para RECEBER DINHEIRO! Senti-me um pouco estúpido por ir tão prontamente dar dinheiro aos coitados e no fim ter de lá voltar no dia seguinte (porque não uso cheques nem sou obrigado a usá-los) com um bolso cheio de notas. Concluo portanto que afinal, a alegada falência desta instituição deve ser mentira. Quem precisa de dinheiro, a primeira medida que toma é a de não deixar desculpas a quem tenha de o pagar, o que nitidamente não é o caso. A outra coisa que aprendi foi que tenho uma grande resistência ao calor. No primeiro dia suportei uma fila (em pé o tempo todo) durante quarenta minutos num edifício SEM AR CONDICIONADO (será para dar o tal ar de que não têm dinheiro e estão na banca rota?) em que na rua se faziam sentir 33ºC e não desmaiei! No segundo dia foi bem pior. Enfrentei uma fila durante uma hora e cinquenta minutos (também sempre de pé) e com temperaturas no exterior na ordem dos 36ºC. Lá dentro fazia mais calor do que na rua, talvez devido à quantidade impressionante de gente, em stress e de pé, que havia por metro quadrado. Ai também não desmaiei e foi um enorme alívio sentir os frescos e saudáveis 36ºC na avenida quando sai do dantesco edifício. Pergunto eu, para onde vai o meu dinheiro enquanto contribuinte se a Segurança Social (e coitadas das pessoas que lá trabalham) no ano de 2005, em pleno séc. XXI, NÃO TEM MULTIBANCO NEM AR CONDICIONADO? Até a roulotte das pitas shuarmas do Campo Grande tem MultiBanco meus senhores e hoje em dia qualquer barraca ou carrito da tanga traz ar condicionado!

PS – A Segurança Social na loja do Cidadão, à qual é feita uma propaganda fabulosa a dizer que tratam de tudo (até têm uns posterzinhos engraçados a falar nisso) também tem os seus truques na manga. É que eles dizem que se pode tratar lá de tudo, mas esquecem-se de dizer que lá NÃO HÁ TESOURARIA! Ora tudo isto me leva a crer que a Segurança Social não está muito preocupada com o dinheiro que tem a receber, senão tomaria todas as providências para recebê-lo. E depois ainda vêm dizer que estão falidos? Devem estar a brincar comigo!

domingo, setembro 11, 2005

Leituras...

Os modelos apresentados nos últimos trinta anos esvaíram-se. Se recorrermos ao que foi dito pelos grandes dirigentes, verificaremos que a nossa educação política foi edificada através de sofismas e de uma mitologia vocabular exemplarmente eloquente e paradigmaticamente leviana e manipuladora. Falaram-nos ao primarismo das emoções. Ocultaram o primado da razão. Forjaram gerações de obedientes. Não exerceram a pedagogia do civismo, naturalmente criadora de cidadãos e não de servos.
Baptista-Bastos

A doença de Reguengos

Reguengos continua, teimosamente, a exportar imagens e notícias da doença que lhe é própria mas, mesmo contra todas as más previsões, acreditamos, sinceramente, ser a dita passível de extirpação urgente e necessária.

Na fé de que Reguengos, pode vir a ser recuperada para o futuro da humanidade - assim como todas as áreas habitacionais afectadas pelo vírus -, passarei a postar algumas conclusões provenientes de gente de referência acerca de factores humanos determinantes no desenvolvimento da espécie.

Crueldade e Sofrimento
A crueldade é constitutiva do universo, é o preço a pagar pela grande solidariedade da biosfera, é ineliminável da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, a que acrescentámos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os recém-nascidos nascem com gritos de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, talvez os vegetais também, mas foram os humanos que adquiriram as maiores aptidões para o sofrimento ao adquirirem as maiores aptidões para a fruição. A crueldade do mundo é sentida mais vivamente e mais violentamente pelas criaturas de carne, alma e espírito, que podem sofrer ao mesmo tempo com o sofrimento carnal, com o sofrimento da alma e com o sofrimento do espírito, e que, pelo espírito, podem conceber a crueldade do mundo e horrorizar-se com ela. A crueldade entre homens, indivíduos, grupos, etnias, religiões, raças é aterradora. O ser humano contém em si um ruído de monstros que liberta em todas as ocasiões favoráveis. O ódio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O ódio abstracto por uma ideia ou uma religião transforma-se em ódio concreto por um indivíduo ou um grupo; o ódio demente desencadeia-se por um erro de percepção ou de interpretação. O egoísmo, o desprezo, a indiferença, a desatenção agravam por todo o lado e sem tréguas a crueldade do mundo humano. E no subsolo das sociedades civilizadas torturam-se animais para o matadouro ou a experimentação. Por saturação, o excesso de crueldade alimenta a indiferença e a desatenção, e de resto ninguém poderia suportar a vida se não conservasse em si um calo de indiferença.

Edgar Morin, in 'Os Meus Demónios'

Citador

A insustentável leveza do ser!

Há notícias que servem de capa, como a 'gabardina serve para nos guardar da chuva'!

Descubra, nesta notícia, o que faz sentido!

sábado, setembro 10, 2005

Último mergulho


Piscina das Marés - Álvaro Siza - 1961/1966

E dormir bem?...












Portugal Diário

O nosso drama é que parece ser possível dormir em paz, mesmo sabendo o horror por que passa a grande maioria da espécie humana!

De uma perspectiva cósmica - a única credível -, como deverá parecer ridículo um líder de uma qualquer minoria de afortunados e ricos do 'bingo vital'!

'Happy Land'


Sean Scully

Manifestação?

Um país em que os militares se manifestam na rua:

1) ou é um país de chocolate, portanto, um país de brincadeira,
2) ou então está tudo louco - mesmo em democracia!

Está na altura de marcar uma consulta a um bom psiquiatra europeu!

sexta-feira, setembro 09, 2005

Ai! os fogos...

Agitam-se as águas em época de férias do fogachal português.

Inquietação!

Parece que os 'laranjinhas' não estão muito satisfeitos com a 'limpeza do ar' que o seu líder resolveu colocar em prática, no partido.

A desorientação alastra, e parece que existem algumas personagens que não sabem como fazer para disfarçar a incomodidade que esta verdadeira tempestade necessária lhes está a causar.

Também aqui...










Diário Digital

Parece que os tornados acharam piada à zona Sul da Europa. Para já, chegaram a Barcelona. Vamos esperar que não nos vejam!

quarta-feira, setembro 07, 2005

Alexander Calder com Leão


Alexander Calder 1898-1976
Um americano ilustre.

Militares em terra...!

Escreve-se que "os militares já não conseguem trabalhar de espírito aberto"!

É grave, é muito grave.

O rei vai mesmo nu e não se enxerga!

Bárbaro e democrático

O mundo não é grande demais para poder suster o grito que me vai na alma!

Apetece-me pedir a cabeça do verme que realizou a façanha, seguramente humana, de, calma e paulatinamente, agredir até à morte uma criança de 6 anos de idade, muda, e com mais problemas variados e graves.
Enfim, mais um cordeiro do actual panorama social português, moderno e crescido mas nunca desenvolvido!
Apetece-me pedir a cabeça da mãe da vítima.
Apetece-me pedir a cabeça de todos os vizinhos que, a muita da brutalidade exercida no 'cordeiro', agora barbaramente assassinado, serviram também de testemunhas, silenciosas e silenciadas por um medo profundo e cultural próprio de sociedades como a nossa, sendo por isso cúmplices e que surgem agora com expressões de 'anjos surpreendidos' pelo desenrolar do drama. Murmuravam entre si, dizem agora, que um dia haveria de acontecer uma coisa má! E aconteceu - sempre com a sua 'prestimosa' ajuda.

Apetece-me pedir a cabeça dos funcionários responsáveis dos serviços inerentes a estes casos de crianças maltratadas e que continuam a permitir estas aberrações.
Claro que me poderão dizer que nem só cá estas tragédias acontecem; mas isso é precisamente o que me arrepia - é ver portugueses a achar normal este tipo de casos, em pleno 2005.

Quando escrevo 'bárbaro e democrático' é que este crime horrendo foi cometido com a aprovação de uma maioria que conhecia o assunto. Portanto, foi um crime democrático, foi cometido pela vontade da maioria!
Sei que este não é o discurso correcto em Portugal, mas é o meu discurso.

Este país está a tornar-se campeão em crimes de índole democrática, apenas porque para viver a democracia é preciso ser-se culto. Culto, e não especialista em assuntos que só acabam por interessar a quem vive muito bem, tem os ordenados em dia ou atinge boas cifras com os lucros obtidos neste jogo pretensamente correcto que se joga diariamente em Portugal. A tudo isto assiste conivente a maior parte da Comunicação Social 'politicamente e partidariamente aceite', limitando-se a dar a notícia - seja ela qual for (a publicidade paga e o contribuinte compra).
Uma pessoa culta é uma pessoa responsável. Não me refiro a intelectuais, que também podem ser cultos. Refiro-me apenas a democratas.

Está tudo ligado.
Recuso-me a discutir este assunto baseado em comportamentos pessoais, como se estivessem fora do âmbito das ocorrências sociais: este é um crime do qual todos nós somos, hoje, mais uma vez, responsáveis.

O rei vai nu. Todos vêem e todos calam!





terça-feira, setembro 06, 2005

Oh, senhor Valentinho!

Mas não há ninguém que convença o senhor Valentinho de que o seu tempo está a esgotar-se?

Bananas?

Do alto do meu voo 'pareceu-me' ver impressa uma notícia num arauto do regime que diz preparar-se a Brisa para cobrar uma nova portagem no final da A5.

É desta que vai uma revoluçãozinha?

Depois de chularem o 'banana' do contribuinte vendendo 'gato por lebre', ou seja, cobrando indevidamente o preço máximo de uma auto-estrada sem as condições mínimas durante a eternidade de umas obras detentoras de defeitos, ainda lhe vão à carteira sem a vergonha e o respeito que se impõem num país pretensamente democrático?

Que belíssima administração tem esta empresa-referência do actual mundinho tuga!


domingo, setembro 04, 2005

sábado, setembro 03, 2005

A indústria dos incêndios, na SIC

José Gomes Ferreira (sub-director de Informação da SIC) escreveu isto!
Vale a pena ler!

'Tindaya'


(cubo vazado na montanha Tindaya – Ilhas Canárias)

“(…)Mi única ambición es crear un espacio útil para toda la humanidad, que cuando un ser humano entre en ese cubo vacío de 50 por 50 por 50 metros sienta en su plenitud la pequeñez humana.(…)”
Eduardo Chillida (1924 - 2002)

segunda-feira, agosto 29, 2005

Os milhões dos incêndios!

Passo a transcrever do Diário Digital de ontem:

AS HORAS MAIS CARAS DE SEMPRE

As horas de voo contratadas pelo Governo aos meios aéreos de combate incêndios já foram esgotadas, pelo que os 24 milhões de euros do orçamento são neste momento insuficientes. Trata-se da factura mais cara de sempre. Todos os dias o Estado tem de gastar mais de 266 mil euros nos contratos com aviões e helicópteros.


Os gastos vão disparar exponencialmente este Verão, estando muito acima dos pagos em anos anteriores, que nunca atingiram sequer os 19 milhões de euros.

As contas aos gastos do Governo com o combate aos incêndios só em meios aéreos foram feitas pelo Jornal de Notícias, que explica em artigo como está a ser usado o dinheiro público.

Manter no ar os 47 meios aéreos alugados pelo Governo para o combate a fogos florestais custa, em média, mais de 266 mil euros por dia, conta aquele jornal. Este valor não inclui as despesas dos dois helicópteros alugados a longo prazo (por três anos, que terminam em 2006) e que peca por defeito, já que o valor estimado inicialmente sobe à medida que vão sendo feitas horas extraordinárias.

Apesar de estarem orçamentados cerca de 24 milhões de euros para meios aéreos, esse valor será seguramente ultrapassado porque, como explica Ilídio Rodrigues, assessor de Aeronáutica do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, o número de horas de voo postas a concurso já foi excedido.

Os contratos de meios aéreos jogam com a combinação de duas premissas - a disponibilidade por um período pré-definido, que, na generalidade das aeronaves, é de 90 dias - e a realização de um determinado pacote de horas. No caso, se um concurso prevê a contratação de seis aviões ligeiros, por exemplo, interessa a soma de horas, independentemente de cada um fazer menos ou mais.

Caso o pacote seja excedido, além do preço ajustado, passa a ser aplicável a cobrança de um valor extra por cada hora de voo - que, segundo as cláusulas dos concursos, não pode nunca exceder os 60% do custo horário do contrato-base. Isto porque, já que têm de ter disponibilidade permanente, as empresas vão tendo menos gastos à medida que aumentam as horas operadas.

A única excepção vai para os dois Canadair contratados, explica o JN, já que, neste caso, o Estado paga um preço apenas pela garantia de disponibilidade e, a partir daí, um valor fixo por hora de voo, independentemente do total que venha a ser contabilizado no final do Verão.





sábado, agosto 27, 2005

A gloriosa caminhada

Já a Académica havia demonstrado superioridade, no jogo anterior.
Hoje, foi, naturalmente, a vez de o Gil Vicente mostrar uma inevitável superioridade sobre o V&V da PT.
Volto a escrever: não será altura de apresentar a desistência da Liga dos Campeões?
Olha o descalabro que aí vem!!!

Repararam com o o árbitro arranjou um penalty fantasma a favor do V&V?

Afinal, o rei vai mesmo nu!

Finalmente a PJ e o Fogo

Diz a notícia que a PJ ataca incendiários.
Mas será que todos?

sexta-feira, agosto 26, 2005

O pequeno almoço do senhor Costa

Vi hoje o senhor Costa a tomar um pequeno almoço, popular, no seio dos bombeiros que vieram dos Açores em socorro da irmandade c0ntinental.
O senhor Costa aparentava um ar de serviço.
Estou mais descansado - o país tem um governo que não pára e o PS está unido!!!

quinta-feira, agosto 25, 2005

O fim de um bom negócio?

Agora que foi anunciada a introdução dos - finalmente - 'meios aéreos nacionais', presume-se que em 2006, há quem diga que o grande negócio do ar com os incêndios em Portugal vai ter o seu epílogo.

As populações portuguesas moradoras em zona de risco poderão, enfim, descansar e voltar a afrontar os níveis incendiários considerados normais, aqueles que são produzidos pela meia dúzia de pirómanos nacionais e a típica falta de cuidados na conservação e prevenção.

Fiquei a saber hoje através das palavras de um senhor secretário de estado que somos o único país do Sul da Europa que não tem uma frota aérea especial para combate aos incêndios.

Imaginem a cara dos responsáveis europeus para os quais os incêndios são, num plano não-criminoso, matéria com que não se preocupam excessivamente, por terem a funcionar os meios e a prevenção o ano inteiro, quando tiveram conhecimento de uma proposta do senhor Costa relativamente à construção de um avião europeu de dimensões imponentes, para combate dos incêndios na Europa.
Por acaso esta proposta chega de Portugal, um território que é, no momento presente, uma nódoa negra de tão queimado, e no qual os incêndios, nos próximos tempos, vão, (esperamos!) felizmente, passar a ser uma raridade!

Pode ser que a criatividade portuguesa produza outros negócios, talvez, não tão rentáveis!!

Quanto aos responsáveis - nem uma palavra!
Quanto ao mal que vem do passado próximo, o que não foi feito e deveria ter sido através de actores políticos de boa saúde, presentes e ausentes nesta fase de crise - sejam eles quem forem - nada!

"Esquece quem és, esquece o passado e não serás nada!




Um sorriso pela OTA!

Com o objectivo de evitar escrever algo acerca da inexplicável actuação do senhor Presidente da República, no dia de hoje, fazendo um qualquer inexplicável apelo com o objectivo de debater qualquer coisa relacionado com um fogo e com um país que somente na sua cabeça existirão, e que não será Portugal, com toda a certeza, passo a postar umas notas que me enviaram e que servirão, no mínimo, para esboçar mais um paciente sorriso.
Aqui vão as notas, na forma como chegaram à caixa de correio:

"Uma história de 2 aeroportos:

Áreas:
- Aeroporto de Málaga: 320 hectares;
- Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.

Pistas:
- Aeroporto de Málaga: 1 pista;
- Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.

Tráfego (2004):
- Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8%ao ano.
- Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento 4,5% ao ano.

Soluções para o aumento de capacidade:
Málaga:
- 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.
Lisboa:
- 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40Km da cidade.

"É o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espírito."
E entretanto vão-nos aumentando os impostos directos, indirectos, taxas, combustíveis, etc., etc., etc..

domingo, agosto 21, 2005

O Inferno! Procuram-se: responsáveis.










Foto Diário Digital

O Inferno do terrorismo incendiário, em Portugal!

O Governo fala em iniciar os movimentos de prevenção depois da época dos incêndios ou depois do Verão, que é a mesma coisa: não deverá passar de mais um disparate, ou de mais uma mentira (porque, até hoje, todos os Governos, especialmente de há 3 ou 4 anos para cá, dizem a mesma coisa e fazem zero e é politicamente correcto dizê-lo e não fazê-lo, etc.).
Diz o 'primeiro': "Portugal não se pode resignar a esta tragédia anual".
Esta é a frase que, circunstancialmente, qualquer cidadão pode proferir. Entretanto, e quem a profere é alguém que tem o dever institucional de ser concreto em medidas de salvaguarda do património nacional, porque para isso se comprometeu quando tomou de facto o lugar, em cerimónia de características centrais.

A questão que se põe, pelo ridículo e pelo drama é:
- Quem está a ganhar com os incêndios assassinos em Portugal?
- Ou existem telhados de vidro e ninguém parece poder mexer-se?
- E o jornalismo de investigação: para quando?

Alguém acredita apenas em que condições meteorológicas severas ou tradicionais descuidos dos portugueses, em geral, possa levar a um estado de catástrofe como o que se vive hoje em Portugal?

O crime hediondo que se está a cometer em Portugal tem um nome: terrorismo!

Porque se esconde o que parece estar à vista de todos?
As estatísticas, no que concerne à massa territorial ardida comparativamente com os outros parceiros da UE,
não mentem: somos a anormalidade. Repito que o acaso não provoca esta quantidade desmesurada de incêndios, nem, tão pouco, os factores naturais. Impossível!
As condições de seca foram e são muito graves para Portugal, mas outros países (vizinhos!?) também comeram desse pão! E os resultados? Afinal, até parecem ser os nossos competentes fogos que invadem a vizinha Galiza!

Este é o dossier mais negro da história democrática portuguesa, a nódoa que ninguém vai tirar a tantos responsáveis políticos que nunca fizeram aquilo que é o mais desejável e vale mais que tudo na sua condição de responsáveis: ter a capacidade de perceber os contornos naturais, sociais e políticos dos fenómenos com que se confrontam no seu dia a dia, de modo a poderem exercer a capacidade de prever - (
desejavelmente) sempre a tempo e na tentativa de evitar o que se torna, por incúria, inevitável.

Por isso são políticos e não são bombeiros. Os bombeiros sofrem com a incapacidade dos políticos. O bombeiro apaga o fogo, o político prepara o terreno para facilitar a vida ao bombeiro. Isto é a normalidade. As pessoas votam em candidatos para que este sentimento subsista no seu dia a dia.
Em Portugal parece ser o trabalho dos políticos o contrário do que deverá ser a norma: o político está cá para complicar a vida ao bombeiro.

A pergunta seguinte é: e mesmo que existam uns pirómanos espalhados por aí (e não serão poucos) será possível conseguir esta eficiência na produção cirurgica de incêndios?

Naturalmente que não, porque de outro modo estaríamos com as nossas contas externas de muito boa saúde. Exportaríamos, decerto, especialistas incendiários em doses maciças para estranhos locais onde se perpetra o terror. Assim, resta-nos a certeza de que algo de excessivamente escuro deverá estar a passar-se na anormalidade chamada Portugal.

Há menos de uma semana chegou um pedido de ajuda à Europa, como se toda a gente tivesse sido apanhada pela surpresa!
Incrível o facto de só agora se haver chegado a este magnânimo pedido. Alguma vez o senhor Costa (ou mesmo o senhor Sócrates, lá do seu estatuto de viajeiro, em alturas de crise
) esperavam poder controlar algo desta imprópria situação até ao final das vindimas?
Ao mesmo tempo avançam uns soldados com uns ramos de árvores, já partidos, em direcção ao fogo, esse Adamastor dos anos actuais. Até a própria GNR tem ordens para avançar na ajuda a alguns aflitos!
Não será incrível e verdadeiramente estranho só ter acontecido agora?

Estou a lembrar-me daquele secretário de estado que na Assembleia da República falou que não havia dinheiro para colocar guardas florestais, em número de 1000, nas zonas críticas e que só havia sido disponibilizado gente em número de 30, por magreza orçamental! E lançou esta indicação com um ar de quem havia feito o seu trabalho de forma zelosa, o que até nem se discute! Discute-se é a atitude política.

O Presidente Regional dos Açores manda avançar alguns bombeiros, por meia dúzia de dias em comissão, e crítica as corporações de bombeiros continentais por não avançarem na ajuda aos colegas de outros concelhos em dificuldade!
Demagogia, agora por via marítima.
Como se não estivesse toda a gente à espera de mais ataques, até mesmo nos locais onde habitualmente acontecem, e por razões de origem sobrenatural, não aconteceram - talvez milagre para uns e castigo de Deus para outros. Fartai, vilanagem!

O senhor Sampaio, refeito dos concertos de Verão, não deveria ter uma palavra a dizer? Uma acção decisiva, quiçá, exemplar? Mas parece que não. O senhor Sampaio está, como eu, apenas muito solidário com os aflitos das fogueiras nacionais. E, o que se torna mais kafkiano, reúne-se com os responsáveis pelos bombeiros, em encontros destinados a procurar saber não se sabe o quê e para resolver o quê!

Um país assim teria hoje as condições necessárias para se enquadrar numa moldura europeia de unidade política e económica? De esperança de ontem qual será o nosso estatuto de hoje por parte de quem nos vai observando e decepcionando amiúde com as nossas debilidades intrínsecas?

Até os bombeiros profissionais franceses interrompem as férias porque se dizem agoniados com as imagens que diariamente vêem passar nas estações de TV, incrédulos com o massacre a que está a ser sujeito Portugal.
Dramático, patético e tão básico que mete dó!

A quem é que interessa este inferno?




sábado, agosto 20, 2005

Tss tss tss... !!

Como já era esperado a Académica mostrou-se superior ao V&V da PT.
Claro que o nível de jogo é o habitual em Portugal - murchinho, murchinho, ao nível da divisão secundária do país vizinho, diria.

A jogar assim o V&V tem o meio da tabela mais que assegurado - com alguma dificuldade, claro.

Não seria possível a desistência precoce da Liga dos Campeões?

Força V&V - o país está deslumbrado com a exibição!

Oh, senhor Tomás!

Assistir à implementação do discurso do senhor secretário de estado sobre os clubes de futebol, os seus dirigentes e o... fisco, representaria a possibilidade de a chuva voltar a cair mais depressa em solo português.




Silêncio de Verão!










Foto: P A


Farto-me de olhar o horizonte e nada de Milhafre à vista!
Nem Milhafre, nem Corvus Corax, tão pouco o Pilrito... tss, tss, tss...

Venham para casa antes que a chuva (e que seja muita!) volte a cair.
O Papa espera por vós.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Para parvos - 2!

Começa a época e é inevitável que os heróis não são os jogadores.
Em Portugal - esqueçam! - os nomes dos dirigentes é que fazem vender jornais. Nem mais!

Agora, e na continuação da dança noticiosa, surge o 'circo do Major Valentinho' com um contrato de patrocínio, na Liga Profissional de Futebol, polémico quanto baste.

Mas o indivíduo, como alto cérebro para estas coisas de futebol, porque de política não há quem o bata, apareceu na TV, com o seu ar de quem entende deste assunto e dizendo mais ou menos qualquer coisa como isto: "... bem, vocês sabem que a lei é uma coisa subjectiva. Se ela fosse fácil de compreender não haveria problemas, estava tudo resolvido. Cada jurista tem uma ideia sobre a dita, e daí...pa ta ti pa ta ta, etc.". Que é como quem diz: os advogados só existem porque as leis têm todas muitas vertentes, por isso só os pensadores e os espertos conseguem sobreviver!

E ainda estamos a 24 horas do primeiro jogo!

Para parvos!

Como é possível a encenação do jogador Miguel, no Sindicato de Jogadores?

Então o contrato com Valência é a tal situação exemplar anunciada por um dos V's do V&V da PT do Fonte Nova?

Se ao jogador não era dada razão como surge o mesmo agora no Valência, numa transferência tão normal como a que se apresenta aos olhos do público?

Não estaria consignada numa das cláusulas da transferência (presumo que desejada pelos V&V's!) o aparecimento público de Miguel a ler um papel escrito por advogado (que não por nenhum dos V's - não possuem aquele tipo de discurso) do seu ex-clube, tentando pateticamente salvar com esse gesto a pele dos desastrosos dirigentes do V&V da PT do Fonte Nova?

Presumo, também, que ao jogador Miguel foi garantida a sua razão no processo por parte dos tais 'artistas' que queriam ganhar dinheiro com ele.
De outro modo arriscava-se a não jogar durante um elevado período de tempo, e, num ano que vai terminar num campeonato do mundo, só um louco - aqui a inteligência e os princípios não contam - se arriscaria ao suicídio profissional.

Os 'artistas' ganharam o dinheiro que quiseram, o Miguel fez o que quis e os V&V's continuam o circo que iniciaram há um tempo, até agora, com sucesso - dizem!

As cenas dos capítulos mais quentes virão naturalmente a seguir, com os jogos.

Teatro para parvos - o habitual no 'red world'!

domingo, agosto 14, 2005

A dúvida do pasarinho!



















Momento marcante na vida do senhor presidente Sampaio!
Foto Lusa

Alguém me explica - concretamente - o que significa 'ajudar África', no caso presente?

A falência do sistema partidário português

A indignação de Clara Ferreira Alves na Cartilha, assim como a suposta indignação dos portugueses, indicia o que designo por falência do sistema partidário português.
Do discurso da cronista sobressai a incapacidade e o descrédito.

Ao fim de tantos anos de democracia (embora alguns, politicamente correctos, afirmem que o tempo ainda não é suficiente) o que se deveria estar a vislumbrar como algo de positivo para o país assume contornos de falência política por parte dos vários agentes partidários e dos próprios partidos.

Poderá esta evidência vir a ser desmentida no futuro próximo?

Agora por isso: alguém sabe se o senhor Presidente da República conseguiu os bilhetes para o concerto dos U2?

quinta-feira, agosto 11, 2005

Oh, senhor Costa! (em directo)

Em directo, o senhor Costa, continua sem falar em 'prevenção'. Diz que a responsabilidade é dele.

Fala em comparar. Fala em 'fase alta'. Fala em antecipação. Dos meios para conter. Não fala em prevenção.

Fala em 'seca'. Fala que já se sabia que isto ia acontecer. E que é terrível. Mas é um drama. Mas não pode chamar nomes a ninguém.

Fala em suficiência de meios. Fala em situações de carência. Diz que se fosse carente, rezaria todos os dias para ter meios suficientes.
Diz que os incêndios começaram em Janeiro. Fala em ignições. Parece um técnico especializado.

Ensina como se deve ler o que está escrito na Lei sobre 'calamidade pública'. Sinto-me com falta de forças. Tenho a certeza de que não vamos lá.

É político profissional. Não tem hipóteses de saída. Está preso na sua condição partidária.
É um democrata em Portugal. Como os seus antecessores, tem um grave problema na construção em grupo em prol do interesse comum. E porquê? Por uma razão simples: não pode queimar nomes de pessoas que estiveram a governar durante muitos anos e que nada fizeram, tendo em conta o terrível problema que nos últimos 4 anos se abateu sobre o país.

Daí o problema do regime português: não existe responsabilidade no passado democrático português.

Está a falar há um tempo enorme e falou uma única vez (2 segundos) nas medidas preventivas ao nível da sivicultura e florestas; nem os deputados que o enfrentam falam nisso - pelo que suponho que continua a não ser urgente tratar desses assuntos.

É um prisioneiro dos acontecimentos. E nós.

Os menos produtivos têm mais férias!

Imaginavam que seria assim? Claro que sim, digo eu. A não perder esta notícia.

Aliás, é um facto que assenta que nem uma luva a este povo à beira-mar plantado. Os governantes portugueses têm terror de perder o emprego. Daí a falta de medidas 'normais' para 'gente normal' que, com muita 'lata', deseja comer à mesa dos ricos do resto do mundo.

Qualquer governo português devia implementar o 'jogo obrigatório', todas as semanas, no Euromilhões. O dinheiro dos diversos prémios - a sorte é naturalmente portuguesa, porque Deus é português, na Europa, e na América é. como sabemos, brasileiro -, reverteria para financiar as contas públicas.

Com uma quotização repartida por todos os habitantes deste país (os pobres, porque os ricos não jogam - a não ser o major Valentinho -) as nossas possibilidades poderiam subir em flecha e arriscávamo-nos a ser ricos, 'à conta' da sorte e das hipóteses matemáticas!
Se alguém ainda trabalha, podia dedicar-se a não pensar em mexer-se mais.

Penso, sinceramente, que seria uma alegria ver os portugueses e portuguesas agarradas ao monitor de TV a assistir, gritando histericamente, ao sorteio semanal. Era uma causa nacional, toda a gente sentia que estava aprestar um serviço ao país e a felicidade poderia voltar ao território, queimado de tanto pensar por parte dos responsáveis.


O passarinho não acredita!!!

Vale a pena atentar nos dados contidos nesta notícia de hoje no DN.

É sintomático de tudo o que se vai passando em Portugal.


quarta-feira, agosto 10, 2005

O V&V da PT do Fonte Nova ataca de novo!

Depois da excelente actuação no caso do ponta de lança Tomasson, que depois de ser aconselhado a vir jogar para o V&V da PT do Fonte Nova por Rui Costa acabou na Alemanha do Trapa de Álvaro Magalhães, eis que a dupla maravilha ataca de novo e na Holanda.

De repente, os órgãos de comunicação concluem que os eficazes dirigentes do V&V da PT do Fonte Nova vão no encalço do melhor número 10 do futebol europeu, que por sinal é da Costa do Marfim e que ninguém conhece em Portugal (falta de notícias e incompetência dos jornais e TVs portugueses) - daqueles imprescindíveis para levar o V&V a campeão europeu - o tal de Kalou!

Aí e quando já se ouviam as botas do dito a subir as escadas da fama no estádio com nome de uma marca ainda desconhecida (Licor Beirão?), eis que o clube a que o tal K está ligado por contrato dispara na direcção do V&V da PT do Fonte Nova e fala-se em queixa na FIFA por falsificação de assinatura de K num contrato que uns ingleses, desconhecidos, dizem deter.

Moral da história: o V&V da PT do Fonte Nova é o maior em Portugal e na Europa e promete não parar nesta saga de abandalhar o futebol mundial e levar bem alto o bom nome do V&V da PT do Fonte Nova - mesmo que a FIFA tussa, como dizia o profeta da rádio!

Imaginem que o Papa Amoras não é adepto de qualquer clube da concorrência.
É apenas ex-sócio do SLB,
dos tempos em que 120 mil pessoas viam futebol no finado Estádio da Luz,
dos muitos que sairam quando o clube pretensamente passou a ser um grande investimento na construção e nas gasolineiras,
e que chegou a campeão europeu por duas vezes, com jogadores desconhecidos, tal como o FCP de Mourinho, tornando-os invejados por todo o mundo futebolistico da altura,
clube em estado de coma profundo e, portanto,
em inactividade forçada desde o advento dos grandes empresários e das SADs da moda em Portugal.

Daí: politicamente incorrecto!




sábado, agosto 06, 2005

Patético, senhor Costa

Sem palavras a conferência de imprensa dada pelo senhor Ministro Costa, acerca do 'fogueiral' que vai dando cor ao que resta de um território, lindo, que um dia sonhou vir a ser um país!

Louvando os bombeiros, adiantando que as nossas casas são sempre as mais importantes, quando se trata de salvar bens, dizendo, sem convicção, que 'venceremos' (?), e tentando manter uma postura de 'general em guerra', perfeitamente ridícula, assim esteve, do meu ponto de vista, o responsável actual pela Administração.

Não falou em responsabilidades e acha que o que se passa em Portugal é obra de um qualquer 'deus do tempo' que não gosta de Portugal.

Agora, três anos depois de enormes desgraças, fala-se em comprar uma frota de meios aéreos para combater a nova indústria portuguesa: o fogo. Dinheiro não vai faltar, porque estes meios são estupidamente caros, diz o senhor adjunto.

O senhor Secretário de Estado anunciou que os fogos em Portugal passam a ser todo o ano, por deliberação governamental - suponho!

Oh, senhor ministro, sabia que Portugal é a primeira democracia mundial com capacidade de exportação na área dos 'fogos'?

Nem dá para rir, porque o tempo é de luto!

sexta-feira, agosto 05, 2005

Portugal no seu melhor

Hoje no DD

"A empresa Solenha, que se dedica a transportes especiais ( geradores, pás de hélices e restante estrutura dos moinhos de vento) , diz que estes estão dependentes de um documento que se chama «Autorização Especial de Trânsito», mas que neste momento não está disponível. «A pessoa responsável está de férias na Direcção Geral de Viação» pelo que as próximas semanas vão ser de espera, explicou Paulo Franco em declarações à rádio Renascença."

Pilrito d'Areia 43 [Presidir, para sempre]

quinta-feira, agosto 04, 2005

Lembram-se?

Alguém se lembra de ouvir dizer ou de ler algo acerca de quedas de 'arribas' sobre pesoas que andam a tirar fotos turísticas, pessoas essas que por acaso resolveram escolher para férias um país europeu com índices de segurança aceitáveis no que diz respeito ao seu território?

Decerto que as 'arribas' podem cair em qualquer lado, mas sempre que existe perigo tomam-se medidas para que não aconteça nada de trágico.

Leiam a notícia sobre o que se passou há uns dias em Peniche e atentem nas declarações de responsáveis sobre as situações de segurança na zona!

Depois delas acontecerem... mãos à obra! Nem esta postura conseguimos modificar em 2005!

Este Verão estamos perante um record de pontuação negativa!
E ainda há quem diga que se trata de azar!

O pior sucedeu










Foto Diário Digital

Temia que isto acontecesse.
Quando sacudi algumas frases sobre o inconcebível dos incêndios em Portugal alvitrando as tais responsabilidades governamentais (sejam elas quais forem), pensava já não assistir à vergonha do dia de hoje.

Estou triste, estou revoltado, e pegando nas palavras que JPP escreveu sobre o estado da nação, da sua incapacidade governativa, da falência de um sistema que os portugueses teimam em não saber usar a seu favor (digo eu), não sei se é chegada a hora de mais qualquer coisa.
O tempo está a chegar ao fim. As contas ainda poderão ser feitas, um dia, e nessa altura vai haver gente que não vai perceber o que se passou!

Estou muito triste, e estou muito triste comigo mesmo, aqui, escrevendo, quando poderia e deveria procurar, cara na cara, os agentes que têm enriquecido à conta da pouca exigência dos clientes eleitorais, qual vingador dos azarados portugueses que vivem nos verões democráticos sempre com o Diabo à porta.
Estarão porventura de férias nesta altura, enquanto o país vai acabando, devagarzinho, sempre de forma regular e brutal, pasto de energúmenos tão culpados como os que têm fugido às responsabilidades nos últimos anos, e são muitos, no território que pisamos ainda não calcinado pelas chamas mais disparatadas e assassinas da Europa, pelo menos.

Já agora, penso que o senhor Presidente da República, sempre solidário nestas ocasiões, como sempre foi o seu timbre, deveria ter deixado de lado umas medalhas para quem tão bem não tem servido Portugal.

festival do aTraso MeNtal!



Começa hoje a edição anual 2005 do festival do Sudoeste. Por mera curiosidade, visitei o site da TMN, mais propriamente a secção dedicada ao FESTIVAL, de modo a perceber de uma vez por todas qual é o cartaz definitivo. Ao entrar na página arrepiou-se-me a espinha e congelou-se-me o cérebro… Pura e simplesmente não queria acreditar! A TMN resolveu brindar os visitantes da página dedicada ao agora chamado Festival Sudoeste TMN (qual prostituta, se vai vendendo a todas as operadoras móveis do país) com uma animação 2D razoável acompanhada pelo pior áudio de que alguém, alguma vez, se podia ter lembrado; refiro-me àquela estupidez do “Ó EEEEEEEELSA!”. O requinte de malvadez vai ao ponto de cada vez que se clica numa opção do site, uma voz diferente grita: “Ó EEEEEEEELSA” e mais, tem uma pequena colecção de vídeos a contar uma suposta história sobre a origem deste chamamento que ficou tão popular no Verão de 1998!

E é ai que a coisa fica triste… E ridícula! Para quem não se recorda, no Verão de 1998, no mesmo festival do Sudoeste (na altura patrocinado pela Antena 3 ou algo assim, antes de estar na moda a prostituição às operadoras moveis e apenas se girava em torno das máfias da rádio) uma incauta qualquer, provavelmente entupida de vinho barato e charros na cabeça, lembrou-se de se perder da amiga (há sempre umas pitas freaks nos festivais, que vão aos parzinhos, fumar umas ganzas, beber até à loucura e vomitar nos sítios mais impróprios) e às tantas da manhã andou pelo meio das tendas aos gritos, chamando sofregamente pela sua amiga Elsa. É natural que nesse ano, qualquer pretexto fosse bom (e lembro-me do caótico e vergonhoso ultimo dia da EXPO98) para que alguém gritasse esse código da irmandade festivaleira em sítios com muita gente e alguém, num outro extremo respondesse com o mesmo grito, até que este se generalizasse pela multidão… Irritante, mas giro (mais irritante ainda porque a maior parte dos aderentes não esteve lá nem sabe do que se trata, mas é sempre fixe gritar qualquer coisa e fazer parte do rebanho). Segundo as teorias da filogenética tais necessidades de comunicar através de códigos básicos e fazer parte de um grupo remontam à origem do Homem e até ai tudo bem. Durante um Verão aguenta-se e como já referi, apesar de irritante, é giro. Ok.

O que não é giro é, sete anos depois, o atraso mental por parte da TMN em trazer de volta esse incidente do “Ó EEEEEEEELSA” e basear nele a estratégia de marketing para o Sudoeste 2005! Não só o site do festival é insuportável com as colunas ligadas (mesmo colocando o som em modo off continuam a ouvir-se os gritos da Elsa), como penso que transparece uma grave falta de ideias e dinamismo em relação a este festival que, até há bem pouco tempo, era na minha opinião o melhor festival de Verão do nosso país. O cartaz também o revela, sendo um dos mais fracos que já vi num Sudoeste.

Não querendo ferir ninguém (muito menos aqueles a que vulgar e erradamente o povo chama de atrasados mentais, que não têm nada a ver com este assunto e merecem todo o meu respeito), quer-me parecer que a TMN entrou no facilitismo de considerar as massas aderentes aos festivais de Verão uma cambada de aTrasados MeNtais que se ludibriam e se arrastam de qualquer maneira, descurando qualquer espécie de esforço ao nível da inovação e desenvolvimento daquele que é um dos eventos musicais mais importantes do Verão em Portugal.

No entanto vamos ver o que pensam as pessoas. Até pode ser que eu esteja enganado e que o Atraso Mental seja mesmo o que elas procuram e para mal dos meu pecados tenha de andar até Outubro a levar com uns tipos de vez em quando a gritar em qualquer lado: Ó EEEEEEEELSA…

Heresia?

O que quererá dizer o senhor PT com o termo heresia no caso do hipotético financiamento à fraternidade política brasileira?

O passarinho aprende...

O objecto principal da política é criar a amizade entre membros da cidade
Aristóteles



A dúvida do passarinho

Porque 'diabo' anda a PT envolvida em escândalos internacionais que não lhe trazem nada de bom ao nome e, consequentemente, a Portugal?

É que até apetece perguntar porque salva ela, a mesma PT, o 'futebolzinho nacional' realizando megalómanos contratos de sponsorização aos 3 principais clubes indígenas?

O que dirão os parceiros europeus? Não dará um bocado nas vistas?

quarta-feira, agosto 03, 2005

Saudade do Pilrito!
















Chop Suey, Edward Hopper

Com saudades do Pilrito - agora de cuidados com um Pilritinho acabadinho de chegar -, e como a vida sem imagens não é mais fácil, aqui vai uma, por mor de um rápido regresso às lides.


IP-5 e a classificação

Não me parece correcta a má classificação que vem expressa na imprensa de hoje.
Embora os números sejam trágicos e incompreensíveis, estimo que, se houver civismo na condução, se houver uma imprescindível condução defensiva (por todas as razões e especialmente pelas de cariz humano) e se as regras forem cumpridas, é possível passar pela IP-5 sem qualquer problema.
Não discuto a falta de jeito que Portugal possui na feitura de estradas: esse é um problema nacional ancestral, outro problema que não este.
O que está em causa é que os ingleses desta vez - espalharam-se!
Esqueceram-se de que somos portugueses!


Leituras V

A propósito do novo presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos, Carlos Santos Ferreira, recomendo a leitura deste post, algo conspirativo, mas factual de Paulo Gorjão.

Em vias de extinção

José Sócrates autorizou, em pleno Verão e pouco tempo antes de ir de férias para o Quénia de férias, a dança de cadeiras há muito esperada nos conselhos de administração das diversas empresas públicas ou participadas pelo Estado.
O "seguidista" Fernando Teixeira Santos não desiludiu o "chefe" e na sua primeira grande medida demitiu a administração da Caixa Geral de Depósitos liderada pelo social-democrata Vítor Martins, eliminou dois membros do Conselho e promoveu o caixa de balcão Armando Vara, amigo pessoal de sempre do "chefe" Sócrates, a administrador. Esperemos que Vara não se lembre de criar outra fundação...
Almerindo Marques, pessoa que José Sócrates literalmente detesta, também tem os dias contados. Nomeado por Morais Sarmento, fez um excelente trabalho a pôr as contas em ordem na RTP, promoveu mudanças culturais naquela empresa pública julgadas utópicas e deu liberdade de facto à redacção da RTP. Mas este tipo de "pormenores" não o vai salvar. Almerindo vai ser posto na rua. Assim como o "laranjinha" Gonçalo Reis.
Resta saber quem vai substitui-lo. Não acredito que seja Emídio Rangel.

Em vias de extinção - parte 2

E, finalmente, e para já, a monopolista e desejada Portugal Telecom. O problema já teria sido resolvido se Fernando Teixeira Santos não tivesse sido vetado pelos accionistas privados. Foi e seguiu caminho para o Ministério das Finanças.
Assim sendo, o nome do prodígio Zeinal Bava acaba por emergir como o candidato natural. Bem visto pelos accionistas privados, com boas relações com o PS, Bava será o candidato da continuidade, mas, ao mesmo tempo, um candidato jovem, especialista financeiro, capaz de dinamizar a equipa da PT.
Quando Sócrates regressar com fotografias da savana africana, já todos estes "pequenos" problemas estarão resolvidos. As perguntas dos jornalistas já terão sido esquecidas, mas a credibilidade do Governo de José Sócrates, essa estará como os elefantes em certas zonas africanas: em vias de extinção.